Produtor de Rolândia desiste de plantar trigo
O produtor rural de Rolândia Augustinho Lonardoni, de 68 anos, desistiu de plantar trigo a partir deste ano e somente usará o cereal para rotação de cultura, quando necessário. Proprietário do sítio Nossa Senhora Aparecida, ele conta que sempre fez seguro agrícola, mas que tomou a decisão no ano passado, ainda antes da mudança das regras por parte do governo federal, porque mal consegue pagar o custo da produção. "Quem ganha com isso é só o governo", disse.
Nos 118 hectares em que sempre plantou soja, milho e trigo, o agricultor afirma que sempre buscou se precaver contra problemas climáticos, ainda que tenha críticas a fazer às seguradoras. "Sempre paguei meu seguro e na primeira vez que tive de acionar o sinistro, o banco não quis pagar", citou. "Recebemos pelas perdas de 2003 depois de muito tempo e foi uma mixaria. Pelos problemas de 2005, ganhamos em primeira instância, recorreram e o processo ainda está na Justiça", completou Vitor Lonardoni, filho de Augustinho.
Mesmo com as mudanças propostas pelo governo federal, os dois pretendem continuar a usar o seguro para soja e milho. "Mas só com a cooperativa. Lá, fazemos a troca dos grãos e o seguro, porque no banco é complicado demais para receber", reiterou Vitor.
Augustinho cita que o excesso de chuvas durante a atual colheita de soja gerou quebra de 20% da produção, mas que não seria preciso acionar o seguro porque há cobertura dos custos. "Só não deixa a margem que esperávamos."
A produtividade da propriedade na safra passada foi de 124 sacas por hectare de milho e de 58 sacas por hectare de soja. O custo foi de 53 e 22 sacas por hectare, respectivamente. "O seguro de milho, mesmo pela cooperativa, cobre umas 100 sacas por alqueire (41 por hectare), mas hoje o custo é de uns 130 por alqueire (53 por hectare). Só ficamos com o prejuízo do diesel", explicou. (F.G.)





