Acompanhamento diário da lavoura, investimento em tecnologia e muita disposição para trabalhar são o segredo para alcançar boas produtividades na produção de grãos. Esta é a receita do agricultor Odair Aparecido Favali, de Cambé (13 km de Londrina), para aumentar a lucratividade frente ao alto custo de produção.
No seu trabalho, ele utiliza uma ferramenta fundamental: o planejamento. O produtor acabou de plantar a safra de verão e já está pensando no cultivo de inverno. ''O planejamento do trigo do ano que vem já está pronto'', contou. Segundo Favali, agindo dessa forma é possível economizar. ''Comprei os insumos para a atual safra com antecedência. Por isso, paguei quando o dólar estava mais baixo.''
Acima da média O planejamento e a dedicação do produtor lhe renderam a premiação em um concurso de produção de trigo promovido pela Corol na última safra. Em uma pequena área especialmente preparada para o desafio, ele obteve 104,50 sacas/hectare (ver box).
No restante da lavoura de 1,4 mil hectares (ha), que reúne terras próprias e arrendadas, ele alcançou produtividade de 54,09 sacas/ha. O índice superou a média de Cambé, que segundo a Emater do município, é 45,08 sacas/ha. A expectativa é que a boa performance continue na atual safra de verão. Ele já plantou 1,4 mil ha de soja e 200 ha de milho para a temporada. Independente da época do ano, continua cuidando pessoalmente dos tratos culturais necessários ao bom desenvolvimento das plantas.
''Não tem um metro de terra que eu não acompanhe. A adubação, a semeadura e a pulverização de defensivos são feitas pessoalmente por mim e meu irmão'', contou. Procedendo dessa forma, ele garante que os insumos sejam melhor aproveitados. ''Não há desperdício'', disse.
Plantio direto Há oito anos, Odair Favali pratica o plantio direto em suas lavouras. Apesar de alguns produtores reclamarem que o sistema aumenta o número de plantas invasoras, ele não enfrenta o problema. ''Mantenho bastante palha sobre o solo. É difícil nascer mato'', comentou.
Bem informado sobre os cuidados inerentes ao plantio sobre a palha, ele pratica rotação de cultura em toda a propriedade. ''Plantei a mesma área de milho que o ano passado, apesar dos baixos preços, para manter a rotação'', explicou. O agricultor ressaltou que o plantio direto exige algumas adaptações para ser bem sucedido.
''As pragas de solo, por exemplo, necessitam de tratamento adequado para não prejudicarem a lavoura'', analisou, informando que em suas terras, procura utilizar inseticidas biológicos. ''O custo é maior, mas esses defensivos são mais eficientes'', avaliou. A aplicação preventiva, antes de ocorrerem ataques, é considerada fundamental. ''Tem que passar o que é preciso para evitar prejuízos depois.''
Tratos culturais Favali salientou que o produtor precisa investir no preparo do solo. ''Antes do plantio, a terra deve ser corrigida com fósforo, potássio e outros nutrientes que sejam necessários. É muito importante fazer as análises de solo e foliar para identificar as falhas dessas substâncias'', defendeu.
Em sintonia com novidades tecnológicas, ele informou que também procura variedades de alto potencial, além de insumos e defensivos de última geração. ''Se o assunto é tecnologia, não gosto de ficar para trás. Experimento as novidades antes mesmo de entrarem no mercado.''
A mesma preocupação é observada com relação às máquinas agrícolas utilizadas na lavoura. Em uma oficina particular, a família Favali está sempre promovendo modificações para melhorar a performance dos equipamentos. Uma das mudanças foi a instalação de um facão descompactador de solo nas plantadeiras. As máquinas também receberam um sensor que buzina quando para de cair sementes, avisando o operador que o plantio não está sendo realizado.
Investimentos O custo é alto para obter bons resultados na hora da colheita. Para implantar cada hectare da lavoura de milho, ele gastou R$631,14. ''Os custos aumentam na hora de colher e transportar. Essas etapas consomem 25% do valor da venda'', contabilizou. A soja, por sua vez, exigiu R$434,42/ha para ser semeada. No caso do trigo, que já foi colhido, Favali investiu R$393,44/ha.

mockup