Produtor cria nova varidade de abacate
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sexta-feira, 22 de julho de 2011
Eli Araujo <br> Reportagem local 
O agricultor Miguel Massake Makiyama, tradicional produtor de abacates em Arapongas, no Norte do Paraná, vai colher este ano a primeira safra de uma variedade que ele mesmo criou. O produtor diz que não sabe ao certo, mas estima que o pomar com a nova variedade tenha cerca de 110 árvores. Makiyama não tem noção de quanto será colhido, mas calcula que ''dará bem mais de um caminhão''. A colheita está prevista para começar no mês de agosto e terminar em outubro.
A nova variedade ainda não tem nome definido e é possível que seja batizada com o nome da família. Makiyama fez ''quatro ou cinco'' experiências antes de chegar ao novo produto - o que conseguiu em 2008, exatamente no centenário da Imigração Japonesa ao Brasil. No ano passado, ele conseguiu colher os três primeiros cachos da fruta, com cada unidade pesando entre 1,3 quilo e 1,4 quilo em média. Segundo o produtor, o novo abacate foi enviado a uma cidade do Nordeste e aprovado pelos poucos consumidores que puderam experimentar a fruta.
A história da família Makiyama com abacates começou na década de 1950, quando foram plantadas 40 sementes de um abacateiro comum. A produção normal se concentrou entre os meses de março e julho. Um pé, entretanto, se destacou pela alta produtividade, tolerância a baixas temperaturas, maturação tardia e com a colheita acontecendo entre os meses de agosto e dezembro. No começo da década de 1970, foram plantadas as 10 primeiras mudas do abacate temporão e a experiência foi bem sucedida.
O fenômeno chamou a atenção de técnicos da Cooperativa Agrícola de Cotia, em São Paulo, e de pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). O engenheiro agrônomo Masasuke Mashima, da Cotia, constatou que a variedade tinha características próprias e propriedades diferentes de outras espécies até então conhecidas. Ele sugeriu que esta variedade recebesse o nome da esposa de Makiyama, Margarida. E assim aconteceu.
No final da década de 1970, o agricultor de Arapongas foi registrado como produtor de mudas junto ao Ministério da Agricultura. Em 1979 foram produzidas 450 mudas, duas mil em 1980 e mais de 10 mil em 1981. A distribuição para produtores de várias cidades do País ficou por conta da Cooperativa Agrícola de Cotia. Graças a este trabalho, hoje a maior produção está concentrada nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
Atualmente, o produtor de Arapongas tem cerca de mil pés de abacate na propriedade. Segundo ele, pouco mais da metade é do tipo Margarida e outros 110 pés da nova variedade ainda sem nome definido. Os outros são de abacateiros comuns.
A produtividade do Margarida varia entre 300 quilos a mil quilos por árvore em cada safra, dependendo do ano. Da nova variedade ainda não há uma estimativa.
Além da boa produção, outro detalhe que o agricultor não pode reclamar é do preço. Segundo ele, nos últimos dois anos o abacate era vendido entre R$ 0,20 e R$ 0,30 o quilo, agora está entre R$ 0,70 a R$ 0,80, mas acredita que pode chegar a R$ 1,00 ainda este ano. A cotação da variedade Margarida é publicada diariamente em São Paulo.
Diferenças - O abacate Margarida e a nova variedade têm algumas diferenças. O Margarida tem o formato arrendondado, pesa entre 900 gramas e 1 quilo e tem a colheita entre os meses de agosto a dezembro. A nova variedade tem o formato de pera, pesa entre 1,3 a 1,4 quilo e a colheita se dará entre os meses de agosto e outubro.


