Pequena safra de verão e produtor segurando a venda estão contribuindo para o preço do milho ultrapassar o patamar de R$ 30/saca, sugere analista
Pequena safra de verão e produtor segurando a venda estão contribuindo para o preço do milho ultrapassar o patamar de R$ 30/saca, sugere analista | Foto: Roberto Custódio/03-07-2017



Para ajudar a complicar o cenário da produção de milho, agricultores que estão capitalizados ainda aguardam a consolidação da segunda safra para soltar os estoques no mercado, em busca de melhores cotações. No exterior, a forte seca na Argentina, terceiro maior exportador do grão, gerou uma quebra de 10 milhões de toneladas na soja e já começa a afetar o milho plantado, com 60% dos lotes precoces do cereal em áreas de condição hídrica de seca a regular.

Com isso, parte da indústria nacional buscou garantir grãos para ração ou produção de alimentos, o que fez com que a saca de 60 quilos do produto aumentasse 10,9% no Paraná entre janeiro e fevereiro. Nos primeiros oito dias de março houve novas altas que somaram mais 6,6%, conforme o Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento).

O Paraná tem a vantagem de produzir mais milho do que consome, o que explica o avanço um pouco menor das cotações do que o de outras praças que não têm a mesma capacidade, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Na região de Campinas, o aumento foi de 19,6% em fevereiro e de mais 5,4% até 8 de março, segundo o índice do Cepea/Esalq (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz).

O analista de milho do Deral, Edmar Gervásio, considera que é a incerteza sobre a segunda safra que gerou a alta, mas não vê sustentação para o valor neste momento. "A indústria acaba por inflacionar o preço para garantir estoques, mas não quer dizer que seja o valor de hoje. Pode ser para contratos futuros."

Mesmo com a possível quebra de safra para o milho na Argentina, ele diz que o Paraná e o Brasil costumam ter o mercado interno descolado do externo, pelo alto consumo nacional do grão. Percepção semelhante à do gerente técnico e econômico da Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná), Flávio Turra. "O milho passou do patamar de R$ 30 basicamente porque nossa safra de verão foi pequena e o produtor tem segurado a venda. A preocupação mais forte é em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que precisam do grão e não produzem na safrinha", cita Turra, que vê a indústria "fazendo um colchãozinho nos estoques".

O economista da Ocepar, porém, não acredita que se repitam as altas cotações de 2016, quando uma quebra de safra enfraqueceu a oferta e levou as cotações às alturas. "Mas, se pegarmos do segundo semestre para cá, é claro que o custo do milho já aumentou."

Superintendente comercial da Integrada Cooperativa Agroindustrial, João Bosco de Souza Azevedo diz que há grãos para ofertar, mas não há interesse do agricultor em vender. Ele acredita que, quando os números da segunda safra forem consolidados, a tendência é que o mercado se estabilize. "É uma cultura perigosa para se ficar na especulação e orientamos o produtor a ir dividindo a produção e vendendo ao longo do tempo, conforme o preço sobe."

São justamente os altos estoques que têm segurado os preços, diz o economista Eugenio Stefanelo, da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e da FAE. "A saca em Paranaguá abriu o ano entre R$ 28 e 29, mas a colheita menor na primeira safra e este atraso no plantio da segunda elevaram a cotação até a R$ 34", cita. (F.G.)

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