Maurício Okimura está no começo de sua colheita de trigo. Mas desde já contabiliza prejuízos. Até agora, o produtor da região de Londrina estima um comprometimento de 50% dos seus 480 hectares plantados. Okimura afirma que a geada tirou toda a sua esperança de obter algum lucro nesta safra. ''A situação é desanimadora. Além da geada, o frio intenso que atingiu a região prejudicou toda a florada'', afirma.
De acordo com o produtor, não é a primeira vez que se arrepende de escolher o trigo como cultura de inverno. Em 2009, Okimura relata que quase 100% de sua lavoura foi destruída pelas chuvas. Naquele ano, a única saída para o agricultor foi recorrer ao seguro rural. ''Nesta safra, não vai ser diferente. Já estou fazendo um levantamento, junto a meu engenheiro agrônomo, para pedir o benefício'', lamenta o produtor.
Okimura conta que a salvação de sua produção de inverno são os seus 87 hectares de milho safrinha. ''A geada também afetou a minha produção de milho, mas não tanto quanto o trigo'', compara. Nesta safra, sua produtividade no grão deverá ser de 53 sacas por hectare, 34 a menos do que foi registrado no ciclo anterior.
Mesmo com esse decréscimo, Okimura salienta que no próximo ano deverá priorizar o milho. ''Aonde tiver a possibilidade de substituir o trigo pelo milho, vou fazer'', desabafa. Nessa mesma condição está a produtora Gilvane Amano, da região de Cambé. Desde o ano passado, a agricultora segue desmotivada na produção de trigo. Segundo ela, além da geada, a baixa remuneração paga pela cultura não compensa financeiramente.
Em decorrência desse fato, Gilvane preferiu diminuir sua área plantada. No ano passado, plantou 500 hectares. Neste ciclo, foram cultivados apenas 300 hectares. Do 200 restantes, 100 foram voltados para a produção de milho safrinha. O restante da área, segundo a agricultora, ficou inativa.
A agricultora relata que diminuir o plantio de trigo foi a melhor escolha. Isso, segundo ela, porque a geada atingiu bastante a sua produtividade. Na safra passada, ela colheu 56 sacas por hectare. Neste ano, sua produtividade não deve passar de 16 sacas para cada hectare. (R.M.)

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