O Oeste da Bahia transformou-se no segundo pólo produtor de algodão do Nordeste. Com a safra 99/00 terminando de ser colhida, a estimativa de produção é de aproximdamente 111 mil toneladas de algodão em caroço em uma área de 41 mil hectares. No ano passado a área plantada foi de 13 mil hectares e a produção atingiu 32.280 toneladas de algodão em caroço. O crescimento da cultura na região atingiu 375% nos últimos três anos. A área cultivada foi ampliada em 472% nesse período. A produtividade também cresceu, alcançando nesta safra 180 arrobas/ha contra 165 arrobas/ha no ano passado.
Todos estes dados são da Associação de Agricultores e Irrigantes do Oeste da Bahia (Aiba) e superam em muito as estimativas divulgadas pela Conab, que previa o cultivo de 76,6 mil toneladas em todo o Estado nesta safra 99/00.
Crescimento expansão da cotonicultura no Oeste baiano, segundo assessores da Aiba, é o resultado de vários fatores regionais, como clima, infra-estrutura e grandes áreas de terras para o cultivo.
A cultura do algodão na região gerou 4 mil empregos diretos e outros 2 mil indiretos. Recentemente o produto começou a ser exportado para alguns países da União Européia. ‘‘É uma tentativa de conquistarmos mercados fora do País, haja vista que o algodão produzido na região é de ótima qualidade’’, afirma João Carlos Jacobsen Rodrigues, diretor do Departamento de Algodão da Aida.
CompetitividadeMesmo com o crescimento acentuado, os cotonicultores esperam do governo baiano isenções de até 75% no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o que os deixariam em igualdade de condições para competir com os produtores de algodão do Mato Grosso, maior produtor do País, que concede o benefício fiscal há vários anos.
Segundo Rodrigues, o governo baiano alega que a Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovada pelo Congresso Nacional, não permite atender a reivindicação. ‘‘Seria uma excelente oportunidade de impulsionarmos ainda mais a produção do algodão em nossa região, além de termos condições de vendermos a preços competitivos e investirmos em pesquisas para melhorar a qualidade’’, afirmou Rodrigues.
O município de Barreiras está localizado a 853 quilômetros de Salvador (BA) e a 622 quilômetros de Brasília. Com 150 mil habitantes, é o maior centro urbano do Oeste da Bahia. Tem 108 anos de emancipação política e uma área de 11.975 quilômetros quadrados, fazendo parte da Bacia do Rio Grande, a maior do lado esquerdo do São Francisco.
PioneiroRodrigues foi um dos pioneiros na cultura do algodão da região. Nascido em Clevelândia, no Paraná, ele está há 18 anos na Bahia. ‘‘Não havia absolutamente nada na região, mas em 1982 comecei a plantar arroz em uma área de 200 hectares’’. Hoje sua propriedade tem 1.250 hectares de algodão plantados e 1.200 de soja.
Conforme João Carlos Rodrigues, o clima bem definido da região, com chuvas no final de outubro e término no final de abril e bastante luminosidade, com colheita programada para o período seco facilitam a colheita da pluma branca de boa qualidade.
Entre os itens considerados vantajosos para a cultura algodoeira estão a infra-estrutura regional, com variações de estradas que fazem as ligações dos estados do Tocantins, Piauí, ligando todo o anel da soja, além do crescimento de cidades como Luis Eduardo Magalhães (ex-distrito de Mimoso D’Oeste recém emancipado) e Riachão das Neves.
CustosOs custos de produção giram em torno de US$ 900 por hectare (no Mato Grosso custa US$ 1,4 mil), por causa do baixo índice de pragas. A rentabilidade atinge US$ 460 por hectare para produtores com produtividade de 200 arrobas por hectare.
Além disso, o fornecimento de calcário está a uma distância média de 150 quilômetros, juntamente com duas misturadoras de adubos situadas em Luis Eduardo. A produção do caroço tem mercado garantido no Nordeste e é destinado para o consumo animal e produção de óleo, com baixo custo de frete. A implantação de beneficiadoras é facilitada pela farta rede elétrica e baixo custo da construção civil com facilidade para escavação de fundações e poços artesianos.
Com a expansão da cotonicultura na região, o governo do Piauí mantém o interesse em atrair investidores para o sul do Estado. ‘‘Foram feitas algumas reuniões com autoridades locais mas não chegamos a nenhum acordo. Um dos principais problemas é a falta de infra-estrutura’’, diz Rodrigues. A maior cidade daquela região é Corrente e fica a 200 quilômetros de Barreiras.
* O jornalista Júlio Cesar Lima viajou para Barreiras a convite da Case-IH

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