Fascinado pela beleza das flores exóticas tropicais, o representante comercial Gil de Abreu Souza Filho começou a cultivar essas espécies por hobby em uma pequena chácara de lazer em Londrina. A produção cresceu e hoje ele aposta nesse segmento como um negócio viável para a região norte do Paraná.
Em dois mil metros quadrados de terra, crescem oitenta touceiras de bastões do imperador capazes de produzir quatro mil mudas. Há um mês, as flores estão sendo vendidas para uma feirante que as comercializa em feiras de Londrina. Cada haste custa de R$ 1,50 a R$ 2 para o consumidor. ‘‘A aceitação tem sido muito boa’’, disse Souza Filho, que também cultiva 15 espécies diferentes da família das helicônias para futura comercialização.
Planos Convicto sobre a viabilidade do negócio, Gil planeja vender sua chácara e arrendar uma área maior para começar a produzir de forma mais sistematizada, com as tecnologias que considera adequadas. Segundo ele, as flores se desenvolvem bem em regiões quentes, exigem bastante umidade e gostam mais do sol da manhã. Por isso, pretende instalar na nova área uma estufa para fugir do inverno, um sistema de irrigação e sombreamento.
Além das flores, sua intenção é comercializar mudas, estimulando outros produtores a entrarem na atividade para criar um mercado na região. Também planeja instalar uma loja no centro da cidade para vender plantas, mudas, insumos, atender solicitações para decoração de eventos e realizar outras atividades ligadas à produção.
Atividade consolidada O Norte e o Nordeste brasileiros oferecem condições adequadas para o cultivo de plantas tropicais, pois apresentam alta temperatura e bastante umidade. Nessas regiões, de acordo com informações do Sebrae, muitos produtores estão investindo em flores exóticas tropicais como opção de diversificação. Segundo o Sebrae de Alagoas, no Estado são necessários dois hectares para iniciar a produção. O investimento fica em torno de R$ 15 mil para a compra do terreno, das sementes e hastes, instrumentos agrícolas e preparação do solo. No Paraná, Gil lembra que também é necessário investir em estufas para enfrentar o inverno.
Através da Associação dos Produtores de Flores Ornamentais Tropicais do Estado do Alagoas (Afloral), 43 floricultores alagoanos já estão exportando para Itália e Portugal as flores alpinas, helicônias, sorvetão e bastão do imperador. A expectativa é de que dez mil flores sejam exportadas semanalmente para esse países, a custo médio de R$ 1.
Manejo As helicônias podem se reproduzir por semente ou propagação, sendo este último o método mais utilizado. A época ideal de plantio é no inverno e a temperatura ideal para produção de flores varia de 21 graus C a 35 graus C, sendo que quanto mais alta a temperatura, maior é a produção e mais rápido é o desenvolvimento. Temperaturas inferiores a 15 graus C são prejudiciais ao desenvolvimento normal das plantas e abaixo de 10 graus C, o crescimento pára. Dependendo da espécie, as flores podem ser cultivadas a pleno sol ou em locais sombreados.
As helicônias preferem solo levemente ácido, por isso, algumas vezes é necessário corrigir a área com calcário. Na época do plantio, o ideal é fazer uma adubação orgânica. A irrigação deve ser abundante, principalmente após a emissão das folhas. Em locais secos, é recomendável realizar irrigações duas a três vezes por semana, evitando-se encharcar o solo.

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