Produtor aposta na macadâmia
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sexta-feira, 10 de setembro de 2004
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Um ano após perder parte da lavoura de café com a geada de 1994, o engenheiro agrônomo Marcelo Hiroyuki Kobiraki, de Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio), optou por investir na produção de uma noz pouco conhecida no Paraná: a macadâmia. Na época, o baixo custo da muda e as perspectivas de mercado foram decisivos para o investimento.
De textura cremosa e sabor exótico, a fruta, considerada por muitos como a ''rainha das nozes'', é utilizada pela indústria alimentícia e cosmética. Originária da Austrália, a noz macadâmia entrou no Brasil em 1937 mas só no final da década de 80 ela se expandiu.
Hoje, conta com lavouras comerciais nos estado de São Paulo (reponsável por 40% da produção nacional), Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia. No Paraná a área de cultivo não é considerável. O alto preço pago pelo mercado externo faz com que 95% da safra nacional seja exportada. O valor da noz em casca varia entre US$ 1,5 a US$ 3,5 o quilo, enquanto o preço da fruta descascada fica entre US$ 8 a US$ 10.
Marcelo Kobiraki cultiva 400 árvores de macadâmia distribuídas em 2 hectares. Na safra deste ano, cujo pico se concentrou nos meses de março e abril, ele colheu 4 mil quilos. A produção da planta começa a partir do quarto ano, com produtividade crescente até a idade adulta. A maioridade da macadâmia, segundo pesquisadores, ocorre aos 25 anos. Informações no site do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) indicam que pomares adultos, bem conduzidos, podem apresentar uma produtividade de 5 a 10 t/ha de nozes.
O produtor se ressente da falta de informação sobre a cultura. Ele procura se manter informado através de materiais produzidos por pesquisadores e associações de produtores do Estado de São Paulo. O IAC é reponsável pela produção de cultivares e possui nove variedades catalogadas, três delas vindas do Havaí, estado americado que se destaca no cultivo da nogueira.
Para antecipar o retorno econômico pesquisadores orientam o consórcio com outras plantas anuais ou frutíferas com exigências similares, como o café. Kobiraki optou pelo consórcio com o grão. O plantio conjugado aumenta o vigor das duas plantas e antecipa a colheita do café.
Outra vantagem do consórcio, aponta o produtor, é o aproveitamento da estrutura do grão, pois, a macadâmia tem sistema de colheita semelhante ao do café com a catação das nozes maduras que caem no solo. ''Aproveitamos a arruação e os terreiros onde é secado o café'', informa. O tipo de colheita e a exigência de mão-de-obra, segundo o produtor, tornam a planta viável para a agricultura familiar.


