Produtor apenas saiu do vermelho
O aquecimento do mercado da carne bovina anima pecuaristas, mas não chega a representar ganhos reais. ''A reação possibilita uma recuperação no preço da arroba, que estava defasado há muito tempo'', afirma André Carioba, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovino de Corte e membro da diretoria da Sociedade Rural do Paraná. Segundo ele, o valor R$ 70 a arroba permite apenas que o produtor ''saia do vermelho''.
Para a entidade, nos últimos 15 anos os pecuaristas perderam muito nas vendas e o valor recebido não cobria os custos de produção. ''Os valores alcançados hoje empatam com os custos da atividade'', diz Carioba. Ele considera que a carne bovina ''estava em promoção''. ''Os preços eram irreais'', afirma.
Dados da própria associação indicam que houve um aumento no consumo da carne bovina no Brasil nos últimos dois anos, que passou dos 36 quilos per capita para 41 quilos. Isso ocorreu pela melhoria da renda das classes mais baixas e em consequência dos casos de aftosa registrados no Mato Grosso e ''da aftosa virtual'' do Paraná.
Carioba vislumbra a queda do processo de recuperação dos preços em janeiro, quando chegam ao mercado os animais engordados no pasto. Segundo ele, o produtor poderia recuperar as perdas se o valor da arroba continuasse no mesmo ritmo de ascensão e alcançasse os R$ 80. Porém, segundo o pecuarista, contratos na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F) para outubro de 2008 já estipulam valores entre R$ 68 e R$ 69.
A Associação dos Produtores também reivindica ação do governo para normatizar o setor de insumos. De acordo com a entidade os fertilizantes tiveram aumento de 45% em dólar. ''O pecuarista deve ter acesso aos insumos. O setor não pode ficar na mão de multinacionais'', critica.
A suspensão do embargo da Rússia à carne brasileira também afeta positivamente o setor. Segundo Carioba, produtores têm cumprido sempre o compromisso de fornecer qualidade. Para ele, as exigências russas, divulgadas esta semana, se resumem a uma questão econômica. ''Exigências e questionamentos têm o objetivo de tentar baixar os preços dos nossos produtos'', afirma. (R.C.)





