Produtor agrega valor com genética
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de novembro de 2000
Cláudia Barberato De Londrina 
O suinocultor Nelson Guidoni, de Arapongas, no Norte do Paraná, está fazendo na sua granja o que ele chama de porco light. A granja tem certificação para produção de genética, fornecendo matrizes e reprodutores para granjeiros, e a produção de animais comerciais para venda à indústria.
A partir de cruzamentos entre raças tradicionais, como landrace, large white e duroc; e outras mais novas, caso do pietraien, o suinocultor tem conseguido obter animais com maior conversão alimentar, maior tamanho de pernil e, o mais importante, segundo ele, com menor espessura de toucinho. É o que o mercado pede. As pessoas querem consumir, cada vez mais, uma carne magra, sem gordura.
Segundo o suinocultor, a tendência é de que a carne suína tenha uma espessura de toucinho cada vez menor. Também a melhoria na qualidade e rendimento de carcaça do animais, através dos cruzamentos, poderá resultar, espera o produtor, em preços melhores para o produto. Hoje ele já consegue vender sua produção com um adicional de R$0,10 a mais no quilo da carne.
Animais híbridos Guidoni tem utilizado animais reprodutores pietraien, raça de origem inglesa, para fazer um suíno com espessura menor de toucinho. Para melhorar o sabor da carne do suíno light ele realiza os cruzamentos com fêmeas sintéticas de raças tradicionais, que mantém a menor quantidade de gordura, mas ressaltam o sabor da carne. Desses cruzamentos, o macho sintético terminador vai para a granja para cruzamento e as fêmeas para o abate.
Foi esse animal, o pietraien, que a Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia (SC) utilizou para fazer o MS58 e depois o MS60, que cruzado com as raças large white, hampshire e duroc, resultou num animal de melhor ganho de peso e menos gordura, explica Guidoni.
Como são as cruzas Na granja em Arapongas, Guidoni tem adotado um sistema semelhante ao da Embrapa, só que com um cruzamento a mais. Usa o pietraien puro para cruzamento com fêmeas híbridas. Os filhos desses cruzamentos resultam também num porco híbrido, que será usado como terminador nas granjas comerciais.
Os animais pietraien foram importados há alguns anos. Vários cruzamentos foram realizados e houve a análise e testes nos filhos destes animais para confirmação de índices zootécnicos que pudessem identificar quais seriam os melhores cruzamentos.
Os filhos de reprodutores pietraien com fêmeas sintéticas baseadas no cruzamento com raças tradicionais, garante Guidoni, que é suinocultor desde 1975, se destacam pela excelente taxa de crescimento, melhor conversão alimentar, alto potencial para deposição de tecido magro na carcaça e maior rendimento em cortes nobres.
Segundo o produtor, o desempenho desses animais é de 91 a 95 quilos de peso vivo aos 140 dias, com ganho diário entre 650 a 680 gramas. A conversão alimentar fica na média de 2.3 kg. Esse animal produz carcaça com mais músculo e menos gordura e tem rendimento e qualidade de carne magra na carçaca com maior qualidade.
Manejo A granja tem 3 reprodutores pietraien e 20 matrizes. O plantel total, incluindo outras raças, é de 300 matrizes. Animais que não têm características para transferir melhoramento genético aos filhos são destinados ao abate. O restante é destinado para a reprodução. Para servir como reprodutor o macho deverá produzir filhos com bom ganho de peso, conversão alimentar, boa simetria, resistência ao piso, ambiente e clima, entre outras exigências.
O produtor explica que não é só o cruzamento que resolve o problema de rendimento na suinocultura. O manejo da granja, tanto alimentar quanto sanitário, é rígido. O suíno devolve o que você dá a ele, por isso é preciso caprichar na alimentação, comprando milho (80% da base alimentar) de qualidade, ração de empresas confiáveis e utilizar a orientação de um técnico no balanceamento da dieta dos animais.
Renda constante Com a venda semanal de animais, tanto comerciais quanto para reprodução, Guidoni consegue obter renda constante. Com isso, os insumos para a atividade são também comprados à vista o que possibilita, segundo o produtor, manter a atividade rentável.
Se não fizer no sistema semanal de produção a granja acaba ficando osciosa por um determinado período do ano e haverá prejuízo, explica. Hoje, na granja, semanalmente de 14 a 16 porcas entram na maternidade.
O gerente-técnico da granja, Amauri Lovera, explica que depois do nascimento os leitõezinhos vão para a creche; a seguir para a terminação e, aos 140 dias, estão prontos para abate. Guidoni vende uma média de 140 animais por semana entre comerciais e de reprodução.
TreinamentoA Associação de Suinocultores de Arapongas, da qual Nelson Guidoni é o atual presidente, estará realizado a partir de janeiro treinamentos técnicos para funcionários de granjas na área de manejo em suinocultura. Alguns produtores da associação montaram também uma central de melhoramento genético que pode fornecer sêmen de reprodutores aos granjeiros interessados. O telefone da associação, para obter maiores informações é:(operadora)43-252-5616.


