Produto ilegal prejudica agricultor
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sexta-feira, 17 de maio de 2002
Carolina Avansini Reportagem Local 
Produtores rurais que compram agrotóxicos contrabandeados correm riscos de sofrer prejuízos financeiros e legais. De acordo com o engenheiro agrônomo Nelson Harger, implementador do Projeto Grãos da Emater, a aquisição de defensivos sem origem e nota fiscal caracteriza compra ilegal de mercadoria.
Se a propriedade for submetida à fiscalização da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), o agricultor está sujeito a receber multa e até à interdição da lavoura. O risco é grande, comenta.
A compra desse tipo de produto também expõe o produtor a prejuízos na lavoura. Não há garantias com relação à eficiência ou à toxidade do agrotóxico contrabandeado. Como há muitos picaretas nesse mercado, o produto pode não funcionar, expondo a lavoura a pragas, alerta.
Outro problema é que os vendedores normalmente levam os produtos até as propriedades, onde a aquisição é feita sem receituário agronômico. Nesse caso, como não existe responsável técnico pela venda do agrotóxico, o produtor assume a responsabilidade pela aplicação e qualquer problema ambiental ou intoxicação de pessoas e animais que resulte da utilização do defensivo. Se houver problemas desse tipo, o agricultor será penalizado. É caso de polícia, enfatiza.
Produtor conscienteGraças à preocupação constante em adquirir defensivos agrícolas de origem comprovada, o produtor Estéfano Paranzini, de Cambé (13 km a oeste de Londrina), evitou levar um prejuízo de R$ 50 mil na safra de soja de 2000. Ele adquiriu um produto contaminado para tratamento de sementes que prejudicou o plantio de 22 alqueires de soja. As sementes não germinavam ou nasciam sem vigor, conta.
Como comprou o agrotóxico em uma empresa idônea, ele recebeu novas sementes, adubo, defensivos já utilizados e o valor referente às horas de máquina gastas no primeiro plantio. Se não fosse indenizado, deixaria de colher 2,5 mil sacas de soja, diz.
De acordo com Paranzini, comprar defensivos na cooperativa ou em empresas conhecidas evita uma série de problemas. Em primeiro lugar, não corro o risco de contaminar o solo com produtos desconhecidos que poderiam comprometer safras futuras, comenta. Outra vantagem é poder contar com a assitência técnica das empresas. Também evito problemas com o fisco, completa.
SegurançaO agricultor Onivaldo Dante, de Cambé, garante que não vale a pena comprar agrotóxicos contrabandeados. O preço é bem mais baixo, mas os riscos não compensam a economia, acredita. Na propriedade de 66 alqueires onde cultiva grãos, ele utiliza apenas defensivos comprados na cooperativa ou nas lojas de produtos agropecuários. Fiscais da Seab já vieram à propriedade, mas como eu tinha as notas e o receituário estava correto, não enfrentei problemas.
Produtor de soja desde 1970, ele acumula experiência na atividade e conhece bem qual deve ser o manejo da lavoura, incluindo as quantidades corretas e melhores épocas para aplicação de agrotóxicos. Não dispensa, porém, a assinatura do responsável técnico da cooperativa ou das lojas na hora de adquirir o produto. Sempre volto a me informar sobre a dosagem ideal. Não quero correr riscos.


