Produto básico de todas as rações
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de fevereiro de 1997
Cristina Côrtes 
O milho é praticamente a base das rações para todos o tipos de criação. A maior parte destinada ao aproveitamento animal vai para a alimentação de suínos e aves de corte, que representam 30% da disponibilidade total de carne no País. Outros setores, como gado de corte e piscicultura, são inexpressivos.
De acordo com dados da Abimilho (Associação Brasileira das Indústrias Moageiras de Milho), a relação entre consumo de ração e produção da proteína é, em média: para o frango 2,1 de ração para 1 kg de carne; ovos, 72,6 kg de ração para 30 dúzias de ovos; suínos, 2,9 de ração para 1 kg; leite, 1 kg de ração para 16 litros. Na composição das rações ( macroelementos), o milho representa: avicultura de corte, 63,5% ; avicultura de posturas; 59,5% ; suinocultura, 65,5% e pecuária de leite, 23%.
Formas de consumoSão diversas as formas de consumo deste cereal na dieta animal. O milho em grãos tem múltiplas utilizações; o farelo de milho moído é alimento rico em calorias, para complementação alimentar do rebanho; farelo de germe de milho peletizado, rico em calorias, serve de aditivo para rações; fubá grosso, fabricado a partir da canjica de milho moído e usado em rações ou de forma natural. Também entram o glúten de milho (CGM), farelo de glúten de milho (CGF) e farelo de germe de milho.
O consumo da indústria brasileira de milho foi, em 95, de 4,15 milhões de toneladas, que representa 13% do consumo nacional de milho. O restante é utilizado da saguinte forma: 49% pela avicultura, 29% pela suinovultura, 4% pela pecuária e 5% pela indústria de sementes e outros setores.
O milho representa cerca de 70% a 80% do preço total das rações, e é um dos fatores que mais pesam no custo de produção tanto das granjas de aves quanto de suínos.
Cadeia produtivaA cadeia produtiva do milho precisa eliminar distorções nas suas diversas fases - produção, industrialização e comercialização - para ser mais competitiva. Estudos do Instituto Agronômico do Paraná, coordenados pelo pesquisador Antonio C. Gerage, sugerem várias medidas para viabilizar e melhorar a qualidade para a produção deste cereal.
O estudo sugere: revisão da carga tributária incidente sobre todos os segmentos da cadeia produtiva; fixação de padrões de classificação que atendam os requisitos demandados pela indústria, porém dentro dos limites suportáveis pelos produtores; estabelecimentos de programas de qualidade total, abrangendo todos os elos da cadeia; escoamento da produção a menor custo, viabilizando ferrovias e hidrovias; investimentos na estruturação de cooperativas para recebimento e secagem do grão.
A sistematização da cadeia produtiva, além de buscar a melhor qualidade da matéria-prima, terá a função de criar uma melhor distribuição do lucro entre todos os elos. Na há produtor bem remunerado se a indústria não estiver faturando bem, e não há indústria bem abastecida em quantidade e qualidade, se o produtor não recebe remuneração compatível.


