Os sistemas de produção de algodão no Brasil perdem a cada ano em produtividade, em área plantada e em competitividade com o algodão importado. Na análise de pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa de Algodão, da Embrapa, a dificuldade na incorporação de novas tecnologias, o uso reduzido de insumos, a elevação dos custos de produção para o controle de pragas, e os problemas com a mão-de-obra são apontados como alguns dos fatores que contribuem para a atual situação da cultura.
Segundo Carlos Aberto Domingues da Silva, pesquisador da Embrapa-Algodão, o cultivo tecnificado pode fortalecer o sistema de produção de algodão. ‘‘O uso intensivo de insumos modernos, uso mínimo da mão-de-obra com a mecanização total da lavoura e a comercialização da pluma diretamente pelos produtores com as indústrias têxteis, podem quebrar os padrões tradicionais de cultivo, viabilizando a cultura’’.
A redução da área plantada no Brasil foi drástica nos últimos anos. Dos 4.136,7 mil hectares em 1982, plantaram-se na última safra 624,8 mil hectares, o que corresponde a uma redução de 84,9%. Isto significou desemprego para 340 mil trabalhadores no período de 91/92 a 95/96 e o gasto de US$ 1,15 bilhão com a importação de torta, óleo, línter e fibra de algodão.
Apesar das dificuldades, o pesquisador afirma que o algodoeiro continua a ser uma cultura ‘‘extremamente viável economicamente’’, quando se adota alta tecnologia. Ele cita como exemplo empresários do Centro-Oeste do País, cuja rentabilidade de um hectare de algodão corresponde a 3-3,5 ha de soja e a 19,5 ha de milho, considerando as condições de mercado da safra 96/97, que apresentou preços favoráveis para a soja, com R$14,00/saca.
No Paraná, com o estímulo do programa da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, a área cultivada de algodão cresceu 88,8%: de 59.700 ha plantados no ano passado, espera-se que nesta safra o plantio chegue a 112.000 ha.(C.C.)

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