Cláudia Barberato
De Londrina
A laranja cultivada pelos irmãos Maysa e Sérgio Yamamoto não ocupa a maior área da propriedade da família, em Nova América da Colina, no Norte do Paraná, mas já alcança a maior renda. As culturas principais da propriedade, em área, ainda são a soja e o trigo, o que deverá mudar nos próximos anos.
Foi a procura por novas fontes de renda que levou os irmãos Yamamoto a iniciarem o cultivo da laranja. Junto com eles outros 10 produtores, na maioria com pequenas áreas, também estão investindo na cultura e formam o Grupo Citrus.
Agregar valoresO Grupo começou em 1994 com seis produtores e o plantio de quatro mil mudas. Hoje são mais de 18 mil mudas e a promessa de expansão de oito mil pés até dezembro desse ano. ‘‘Havia necessidade de agregar valores à produção agrícola,’’ explica Edson Hideki, presidente do Grupo.
Na safra desse ano, de junho a setembro, foram colhidas 12 mil caixas de 25 quilos (kg). Na próxima safra a perspectiva é colher 30 mil. Parte da produção é vendida em um barracão do grupo, onde é feita classificação do produto. Os produtores procuram trabalhar o máximo sem atravessadores, para obterem melhor lucratividade. Por enquanto a mão-de-obra é quase totalmente familiar, outro jeito de lucrar mais.
Segundo Hideki, dos 11 produtores do Grupo, oito já produzem em escala comercial. Na época da colheita, cada produtor leva a produção até o barracão onde uma máquina lava e faz polimento e classificação das frutas. A máquina tem capacidade para classificar até 700 caixas por dia. Para o ano que vem o serviço será expandido para 1200 caixas/dia.
Custos e lucro Segundo o produtor Edson Hideki, no segundo ano de colheita é possível obter produção média de três a quatro caixas (25kg) por pé ou 100 kg de laranja. O custo de produção fica em R$4,20 por pé, incluindo serviço de colheita. Este ano, na safra, o produtor recebeu uma média de R$0,16 pelo quilo da laranja. A renda bruta por pé ficou em R$16,00 e a lucratividade em R$11,80 por pé. Considerando também outros custos, a lucratividade da laranja é de 50%.
A tendência dessa lucratividade, garante o técnico da Emater, é aumentar quando os pomares estiverem em produção plena. ‘‘A lucratividade da laranja depende também de quantidade. A produtividade por pé faz o lucro,’’ avalia Neves.
Novos mercados A produção por enquanto é entregue em supermercados do Norte do Paraná. Mas o objetivo é conseguir novos mercados, como o de São Paulo, um dos grandes concorrentes.
Edson Hideki garante que o grupo quer se diferenciar com os concorrentes de São Paulo pela qualidade, aparência e sabor do fruto. De acordo com o técnico da Emater, a produtividade dos pomares é considerada excelente por estar apenas em segundo ano de produção; ‘‘cerca de 20% superior ao que se consegue no interior de São Paulo.’’
O grupo tem um fundo de reserva, mas pretende ir devagar também nos investimentos. O projeto de esmagamento dos frutos para uma fábrica de sucos, por exemplo, ‘‘é coisa para médio prazo,’’ explica Hideki. Por enquanto, pretendem saldar as dívidas com o barracão e a máquina de classificação que foram financiados no programa do Governo Paraná 12 Meses, Pronaf e com dinheiro dos próprios produtores.
Falta volume A qualidade das frutas, segundo Edson Hideki, garante a ampliação de mercados e um preço 15% superior, mas falta volume de produção. Os pomares são novos e não atingiram o pico, que acontece no sétimo ano de implantação.
O técnico da Emater explica que no pico de produção é possível colher 200 kg por pé. O preço médio final da caixa de 25 quilos, obtido pelos produtores este ano, ficou em R$3,32. Em São Paulo, onde a comercialização é feita em caixas de 40,8kg, o preço não chegou a R$3.O plantio da laranja representa boa alternativa de renda para 11 produtores no Norte do Paraná
Dorico da SilvaDorico da SilvaSérgio Yamamoto e o técnico Lucas Neves: trabalho pela qualidade e boa aparência dos frutos para diferenciar a produçãoHideki, do Grupo Nova Citrus, confirma boa lucratividade da laranja, mas pede cautela aos produtores

mockup