Produtividade e aceitação são focos da pesquisa
Instituições de pesquisa brasileiras têm como desafio desenvolver materiais que favoreçam a viabilidade da cultura, com tolerância, resistência a doenças e adaptabilidade às condições de clima e solo. Atualmente, segundo Lollato, mais de 10 mil linhagens estão em estudo no Iapar, com ênfase em sistemas de produção, nutrição do feijoeiro e manejo de doenças. Projetos também são desenvolvidos pela Embrapa Arroz e Feijão (Santo Antônio de Goiás - GO), Instituto Agronômico de Campinas, e Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri-Florianópolis).
De acordo com Lollato, 95% do feijão cultivado no Paraná são de variedades desenvolvidas pelo Iapar (Iapar 81, IPR Juriti e IPR Colibri). Feijões pretos - IPR Uirapuru e IPR Graúna - também estão disponíveis. Neste ano estão entrando outras variedades como a IPR Eldorado, ideal para a safrinha, e o preto IPR Tiziu. Da Embrapa são cultivados no estado o BRS Campeiro e BRS Supremo (pretos) e BRS Pontal (carioca). ''O objetivo da pesquisa é oferecer ao agricultor variedades mais estáveis, que garantam remuneração e que tenham boa aceitação pelo consumidor'', explica.
Leonardo Melo, da área de melhoramento da Embrapa Arroz e Feijão, afirma que a pesquisa busca em primeiro lugar a produtividade dos grãos, característica que vai garantir o retorno econômico aos produtores. Sobre esta base, outros avanços podem ser obtidos, como a resistência a doenças, redução do custo de produção e do impacto ambiental, com a menor aplicação de defensivos.
Um dos focos da pesquisa, segundo Melo, é a busca pela precocidade dos materiais. ''Essa característica aumenta a flexibilidade do cultivo. O menor tempo entre a semeadura e a colheita abre a possibilidade de mais um cultivo, além de reduzir os custos com água e energia'', afirma.
A qualidade dos grãos também está no foco da pesquisa. Segundo Melo, o principal ganho é o retardamento do processo de escurecimento do grão. Como o feijão escurece num curto período de tempo, perde valor comercial, e o produtor de obriga a comercializá-lo rapidamente. Novas variedades mantêm a mesma coloração da época da colheita. ''A BRS Requinte, mantém as mesmas carcaterísticas, como cor, sabor e tempo de cozimento, por seis meses'', exemplifica o pesquisador. De acordo com Melo, a Embrapa estuda uma linhagem que resiste ao escurecimento por um ano.
Outro foco, que tem como objetivo o aumento de produtividade da cultura, é o desenvolvimento de variedades de porte ereto, que favorece a colheita mecânica e evita perdas porque as vagens ficam mais longe do solo e são mais facilmente alcançadas pela máquina. Segundo Melo, outra vantagem é que as plantas toleram mais a chuva.
Dentre esses materiais, o pesquisador cita o BRS Supremo (preto) e o BRS Horizonte (carioca), que tem também como característica a precocidade. Em 2009, a Embrapa deve lançar o BRS Estilo (carioca) e o BRS Esplendor, que têm porte ereto e o mesmo potencial produtivo de outros materiais. A pesquisa também busca aumentar os teores de ferro, zinco e proteínas nas variedades.
A pesquisa pode influenciar várias categorias de produtores a plantar feijão. ''É alternativa econômica interessante para médios e grandes produtores, desde que seja mecanizada em todas as fases'', explica Lollato, do Iapar, lembrando que a produção em larga escala vai abastecer adequadamente o mercado consumidor. Do mesmo modo, algumas variedades, como os orgânicos, são adequadas para os agricultores familiares, que não possuem máquinas agrícolas. (R.C.)





