Viticultores da cidade de Marialva conversaram com a FOLHA e confirmaram que o cenário de chuvas intensas, de fato, levou a uma quebra de produção e diminuição de qualidade da uva de mesa que, menos doce, perdeu valor no mercado. Outro ponto lembrado pelos produtores é que a alta do dólar fez com que o valor dos insumos disparassem. Em alguns casos, eles optaram por diminuir a área de cultivo da cultura, já que os prejuízos têm se acumulado ao longo das últimas safras.
Celso Takashi Ynoue é um dos exemplos do cenário atual da viticultura. Ele explica que na safra principal, fechada em dezembro, a sua expectativa era de colher entre 80 toneladas a 85 toneladas de uva numa área de quatro hectares. "Neste caso, a chuva foi muito intensa na colheita, o que fez com que as doenças fúngicas ficassem incontroláveis. No final, acabei fechando com produção de 49 toneladas." Uma quebra, portanto, de 38%.
Ynoue explica que o controle do Míldio ficou bem complicado com as chuvas recorrentes. Nem as aplicações de fungicidas com maior frequência seguraram o avanço da doença. "As aplicações preventivas e curativas não fizeram efeito. No segundo caso, é porque não havia luz solar para ajudar no processo".
Para a safrinha – que o viticultor espera colher em 45 dias – a expectativa também não é boa. A produtividade deve ficar em 12 toneladas a 13 toneladas por hectare, enquanto o normal seriam 20 toneladas. "Neste ano chuvoso, de muita umidade, perde-se muito cor e sabor da fruta. Com isso, estamos comercializando o quilo de R$ 2,20 a R$ 2,50, enquanto esperávamos pelo menos R$ 3. Vale dizer que começamos a lucrar quando vendemos o quilo a pelo menos R$ 2,50."
Em contrapartida, os custos de produção dispararam, justificados pela dolarização dos insumos. "Existe um fungicida básico que utilizamos na safra que custava R$ 380 o saco de 25 quilos. Agora, na safrinha, eu comprei por R$ 605. Ainda não finalizei as contas dos meus custos, mas devo fechar no vermelho novamente. Além disso, o banco não quis prorrogar os valores de custeio que captei. Com isso, cada vez mais fica propenso diminuirmos a área de plantio", salienta.
Os números do Deral provam que a cultura tem perdido espaço na cidade. Em 2005, a área de plantio de uva em Marialva era de 1,38 mil hectares. Em 2014, chegou a 800 hectares, retração de 42%. Já a produção nos mesmos nove anos caiu 8,2%. (V.L.)

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