Garantir a qualidade dos grãos até a entrega à indústria é o trabalho de pós-colheita e de nada adianta uma boa produtividade na safra se o desempenho não se repetir no armazém. No recebimento dos grãos, começa o trabalho com peneiras de pré-limpeza, limpeza, secagem, silagem do produto até a entrega a uma indústria ou exportador.

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O superintendente comercial da Integrada Cooperativa Agroindustrial, João Bosco de Azevedo, lembra que o produto não pode ser melhorado no silo, somente mantido. "O produtor também precisa se preocupar porque nem tudo o que ele planta pode ser o mais adequado para aquele momento", diz.

Ele afirma que o trabalho no pós-colheita envolve capacitar o time que atua no recebimento e pré-processamento de grãos e qualificar o profissional que atua junto ao agricultor, no campo, para garantir a segurança alimentar. O superintendente comercial exemplifica que há agricultores fora do Paraná que acabam por prejudicar todo o trabalho. "Não dá para aceitar o armazenamento de milho a céu aberto como ocorre em alguns lugares do Mato Grosso. Existem pragas, aves, que atuam sobre esses grãos, que perdem qualidade."

Pesquisador de pós-colheita de grãos Embrapa Soja, Irineu Lorini afirma que a armazenagem não recebeu a mesma atenção e investimentos em novas tecnologias que o trabalho no campo, algo que precisa mudar. "A automação é uma necessidade tecnológica em todos os processos. Ainda há muita interferência de decisões humanas e precisamos que todo o caminho da produção seja sincronizado com a possibilidade de transporte, por exemplo."

Lorini considera que ainda é preciso evoluir e muito no uso de sensores e equipamentos no recebimento e armazenagem. "A automação hoje ocorre de forma rápida no campo, com a agricultura de precisão, uso de drones, mas ainda precisa melhorar no pós-colheita."

O presidente da Abrapós (Associação Brasileira de Pós-Colheita), Marcelo Alvares de Oliveira, afirma que o próprio interesse de profissionais do agronegócio tem crescido nos últimos anos. "Não tínhamos nada na universidade de pós-colheita de grãos antigamente e hoje vemos mais agrônomos e engenheiros agrícolas se envolvendo na armazenagem, que costumava ficar nas mãos de um administrador de empresas", cita.

Oliveira complementa que a termometria, que mantém a temperatura e a umidade correta dos grãos dentro do silo, sistemas de exaustão e o uso de sensores digitais são algumas das tecnologias que vieram para ficar. Ele diz que é preciso melhorar mesmo a quantidade de silos fixos no País e com qualidade, com base na lei da armazenagem, de 2000, e da certificação de unidade armazenadora. "A ideia é até 2020 fechar um balanço e verificar quantos por cento da capacidade estática do Brasil conseguiu certificação." (F.G.)

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