Apesar dos preços baixos, a segunda safra de milho no Paraná será uma das melhores já registradas no Estado. Até o momento, 81% de uma área de 1,90 milhão de hectares já foram colhidos, a uma média de produtividade de 5.388 quilos por hectare, 13% maior em relação à safra passada. Em produção, o volume deve ser semelhante se comparado ao ciclo 2012/13. O montante seria maior se não houvesse no Paraná uma redução na área plantada de 12% em comparação com a segunda safra de 2013, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Ao todo, o Estado deve produzir 10,24 milhões de toneladas contra 10,23 milhões de toneladas registrados na safra anterior. Juliana Yagushi, engenheira agrônoma do Deral, avalia que a colheita está indo muito bem, dentro das expectativas da entidade, principalmente em termos de produtividade. "É uma das maiores safras já existentes", comemora a pesquisadora. Ela lembra que na safra passada ocorreram muitas perdas de produção devido ao excesso de chuva.
Essa alta produtividade deve amenizar os baixos preços pagos pela commodity. Em julho, por exemplo, o valor da saca fechou a R$ 18,44, 8% menor em relação ao mês anterior. Há 12 meses, o valor do milho estava cotado a R$ 18,76 a saca. O aumento da produtividade neste ano pode favorecer uma pequena margem de lucro ao produtor.
Até agora, 21% da safra foram comercializados, contra 20% no comparativo com o mesmo período de 2013. Juliana observa que realmente os preços não têm sido muito atrativos, por isso muitos produtores estão segurando as vendas à espera de uma possível valorização da commodity. "Uma das pontas terá que ceder: ou o produtor reduz um pouco o preço ou o comprador aumenta o valor pago pelo produto", destaca a especialista.

Cenário regional
Alexandre Semensato, engenheiro agrônomo na unidade da cooperativa Integrada em São Martinho, distrito rural de Rolândia (Norte), afirma que a instituição tem incentivado o produtor a comercializar à produção com o objetivo de manter o mercado abastecido e também para que a unidade não receba tudo de uma só vez, já que a capacidade do posto de recebimento é inferior em relação ao potencial de colheita.
A média de produtividade das 60 famílias de cooperados da unidade tem girado em torno de 115 sacas por hectare. Ao todo, a regional da Integrada de São Martinho deve receber nesta segunda safra 400 mil sacas de milho. A comemoração dos produtores cooperados na região é ainda maior porque muitos agricultores fizeram contratos de comercialização antes da safra, garantindo um preço melhor em relação ao valor de mercado.
O agricultor Richardson Cabral foi um deles. Com uma produtividade média de 131 sacas por hectare, em uma área plantada de 172,8 hectares, o preço negociado em contrato por ele com a cooperativa foi de R$ 21,30 a saca, com mínimo de R$ 19,50 e máximo de R$ 25 a saca. "Aproveitei o bom preço estabelecido em contrato para comercializar", salienta.
Para garantir uma alta produtividade, Cabral destaca que investe forte em tecnologia. "A minha capacidade de produção aumentou 43%", compara o produtor no período antes e depois de adotar sementes de alta tecnologia. Cabral completa que continuará investindo no milho de alta tecnologia nas próximas safras porque a aposta tem valido a pena. Até o momento, 80% de sua safra já foi comercializada.

Imagem ilustrativa da imagem Produtividade ameniza baixos preços do milho