Marcos BorgesAtraçãoVisitante brinca com uma cabra (leiteira) na Exposição de LondrinaEstimulada pela rentabilidade do negócio, que é adequado a pequenos estabelecimentos rurais, a Associação dos Caprinocultores do Paraná pretende estimular a expansão da produção de leite de cabra e seus derivados como queijos - somente um produtor tinha, na recente Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, 31 tipos de queijos.
A caprinocultura ainda é pequena no Paraná, principalmente no Norte, de onde apenas um criador, de Maringá, inscreveu animais naquela exposição, enquanto quatro eram da região de Curitiba.
VantagensAntônio Carlos Salles, presidente da Associação dos Caprinocultores do Paraná, era quem tinha os queijos expostos em Londrina. Ele disse que, além de queijo, fazem-se do leite de cabra ‘‘batida’’, iogurte, ‘‘danoninho’’, sorvete e outros ‘‘frios’’. Tudo que pode ser feito do leite de vaca, pode ser feito do leite de cabra.
Leite natural e leite congelado também são procurados. O negócio, garante Antônio Carlos, é bom: as cooperativas pagam S$ 0,25 - S$ 0,30 por litro de leite de vaca, mas desde dia 1º deste mês estão pagando R$ 2,50 o litro de leite de cabra, ‘‘após três anos de preço congelado’’.
Ele admite que o custo do leite de vaca ‘‘é um pouquinho mais barato’’, porém argumenta que a maior margem proporcionada pelo leite de cabra compensa. Esta margem é maior porque a procura supera a oferta. ‘‘Como não há leite e derivados suficientes para atender o mercado, a procura eleva o preço’’, explica o criador.
As mesmas usinas podem beneficiar os leites de vaca e de cabra, mas a grande maioria dos criadores de caprinos faz a industrialização artesanal. Não existe indústria que trabalhe com leite de cabra no Sul do País. Só existe em Nova Friburgo (RJ) e em Juiz de Fora (MG). Essas indústrias apenas produzem leite em pó.
ManejoÉ ‘‘extremamente fácil’’, diz Antônio Carlos. Um tratador pode criar 200 animais, com exceção da época de cria, porque um plantel desses produz em média 400 filhotes/ano e como alguns deles são amamentados na mamadeira, precisam de ajuda. Dá-se leite na mamadeira porque nem todos os filhotes chegam na mãe - elas podem ter quatro filhotes e leite suficiente apenas para dois. Só se sabe a produção da cabra, pesando o leite. Tratar dos filhotes na mamadeira evita que os mais fracos morram. Daquela forma todas as crias se desenvolvem por igual.
Em média uma cabra dá três litros por dia, mas existem as que chegam a 4,5 litros e (excepcionalmente), mais que isto. O certo é que 30 cabras razoáveis dariam em torno de 100 litros de leite, que renderiam R$ 250,00/dia ou R$ 7.500,00 por mês. Este plantel necessitaria, para ter capim suficiente, de uma área de sete mil metros quadrados.
As cabras têm cinco meses de prenhez e em geral dão três crias a cada dois anos, com dois filhotes por vez. Portanto, ‘‘enquanto uma cabra dá seis crias em dois anos, a vaca (gestação de nove meses) tem apenas duas crias’’, salienta o presidente da associação dos caprinocultores.
A exemplo de outros animais (bovinos e ovinos, por exemplo), os caprinos têm raças leiteiras, raças para corte (produção de carne) e raças de dupla aptidão. O caprino de corte pode ser abatido com cerca de seis meses, quando deve estar pesando em torno de 30 quilos. Como o rendimento de carcaça é de 2/3, o resultado seria de 20 quilos de carne (com osso), que é vendida a R$ 5,50 o quilo. No Paraná o leite é mais procurado, porém ‘‘não sobra carne’’, segundo Antônio Carlos Salles.
AssociaçãoA Associação dos Caprinocultores do Paraná tem poucos membros: apenas 25 produtores estão associados. A maioria da região de Curitiba. Antônio Carlos quer ampliar este quadro, e fala das vantagens oferecidas aos associados: intercâmbio constante de informações, possibilidade de venda de leite em conjunto, atendimento médico-veterinário subsidiado, exames laboratoriais (alguns gratuitos, outros subsidiados), documentação e serviço de registro genealógico.
Todas as primeiras segundas-feiras do mês, às cinco horas da tarde, no auditório da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, em Curitiba, a associação promove cursos para os associados, sobre manejo e outras informações relacionadas à criação de caprinos - alimentação, higiene, ordenha, cuidados sanitários; industrialização e mercado de carne e leite da espécie.Telefone da Associação dos Caprinocultores do Paraná: (041) 354-3382, RAMAL 181.

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