‘‘O pecuarista brasileiro que faz a criação de bovinos para produção de carne também precisa considerar o respeito à natureza, preservando as matas nativas e as fontes de água para que nossa pecuária torne-se efetivamente reconhecida no mundo como fornecedora de carne natural,’’, explica o pecuarista Antônio José de Oliveira, de Terenos (MS). Segundo Oliveira, nos últimos anos, alguns pecuaristas têm se conscientizado de que o futuro da pecuária é seguir o mesmo caminho da agricultura, buscando sustentabilidade e melhores resultados.
‘‘A criação do boi verde ou ecológico apresenta-se como uma nova tendência da pecuária para o terceiro milênio.’’ O chamado boi verde, acredita o pecuarista, pode garantir maior espaço tanto no mercado interno como no exterior. ‘‘O interesse por produtos saudáveis e naturais, com o menor uso possível de venenos, agrotóxicos, químicos e outros produtos, é cada vez maior.’’
Oliveira faz o chamado boi verde na sua fazenda em Sonho Real, há mais de 30 anos. ‘‘O termo boi verde é relativamente novo, mas esse sistema de criação a pasto, com suplementação quando necessário, já é adotado há mais tempo em algumas fazendas do País, com sucesso’’ garante Oliveira.
Segundo o pecuarista, o boi verde é um animal criado a pasto, de boa genética, com suplemento nos períodos de escassez de alimentos (seca), fornecido pela própria pastagem como feno, silagem ou capim cortado. Mas criar boi verde ou ecológico não é apenas mandar o boi para o pasto. Alguns cuidados são necessários, como cuidar da fertilidade do solo e do capim, da água e do ambiente; além de complementar a alimentação dos animais, seja com sal mineral e proteinado e o fornecimento de capineiras no período da seca.
Boi verde em debate O exemplo da Fazenda Sonho Real, que adotou o manejo para cria e engorda dos animais no sistema rotacionado de pasto será apresentado durante o 3º Encontro Nacional do Boi Verde, que acontece de 23 a 25 de agosto em Uberlândia (MG).
O evento é uma promoção do Sindicato Rural de Uberlândia (MG), em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Segundo o secretário de Desenvolvimento de Uberlândia, Paulo Roberto Andrade Cunha, este ano, o objetivo é incorporar o manejo ambiental nos debates, além de discutir a rastreabilidade e o futuro da carne brasileira. ‘‘Ainda mais agora que o Brasil está conquistando o mercado externo e ganhando a briga contra a aftosa’’, diz Paulo Cunha.
Além da preocupação com o tema Agropecuária e o Meio Ambiente, no encontro serão abordados temas como: a gestão de empresa de pecuária moderna em um mundo globalizado e as exigências atuais dos mercados interno e externo sobre sanidade da carne entre outros assuntos.
Serviço A programação do 3º Econtro Nacional do Boi Verde começa no dia 23 e prosseguirá até o dia 25. Outras informações no telefone (11) 3237-3626.

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