Produção regionalizada beneficia produtores no PR
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sexta-feira, 19 de agosto de 2005
Reportagem Local 
Apesar dos entraves que marcam a cadeia do trigo no Brasil, como preços baixos e concorrência Argentina, experiências no Paraná, o maior produtor brasileiro do cereal, mostram que está se delineando uma nova visão para a cadeia produtiva: o planejamento da produção baseado na demanda da indústria moageira regional. ''A aproximação de produtores, cooperativas, moinhos, indústrias e pesquisa já começa a render bons frutos para cadeia produtiva. Pensar a produção a partir da qualidade industrial da farinha que o trigo vai produzir é um grande avanço, pois todos ganham'', avalia Sérgio Roberto Dotto, pesquisador da Embrapa Soja.
A concentração de pequenos moinhos no interior dos três estados do Sul do Brasil é um dos fatores que vem favorecendo a adoção do modelo de produção regionalizada. ''A cadeia do trigo precisa se aproximar e conversar'', sugere Marcelo Vosnika, vice-presidente do Sindicato das Indústrias do Trigo do Paraná. Para ele, como o mercado de trigo no país é relativamente novo, ainda está se construindo essa tradição de negociação. ''Até 1990, o governo controlava todo o mercado de trigo. Hoje a exigência de qualidade é muito grande e é importante se preocupar com a destinação do trigo, isso implica em planejar o volume que será produzido, para cada tipo de produto. É por isso que a segregação vem crescendo em importância'', avalia.
E é justamente essa iniciativa que sua empresa, a S/A Moageira e Agrícola, vem adotando há pelo menos dez anos, quando começou a organizar o relacionamento com os produtores da região de Irati (135 km ao norte de União da Vitória). ''É um trabalho lento, gradual e de resultados a médio e longo prazo'', explica. No início, Vosnika lembra que foram feitas muitas palestras para produtores, técnicos e representantes das empresas de armazenagem para sensibilizar sobre a importância de se modernizar a forma de produzir o trigo na região.
Hoje o moinho trabalha com a garantia de compra a preço de mercado e há três anos só utiliza o trigo nacional. Na avaliação do empresário, existem muitas vantagens com a produção regionalizada.''Valoriza-se o trigo nacional, gerando emprego e renda no Brasil. A logística é mais fácil, o custo de frete é menor e permite trabalhar com a segregação já na produção, o que influencia também nos parâmetros de qualidade da farinha'', aponta.
A experiência também tem sido conduzida em cinco cooperativas paranaenses. Na Cooperativa Agrária, localizada na região de Guarapuava, o produtor recebe um prêmio quando planta as cultivares que atendem o interesse do moinho, e este por sua vez, faz um planejamento anual baseado nas necessidades das indústrias que compram a sua farinha.


