Produção poderá cair pela metade
Cláudia Barberato
De Londrina
Último levantamento oficial do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), de 16 de fevereiro, indica quebra na produção do milho em 14% no Estado. Os prejuízos maiores são no Centro-Oeste do Estado, com quebra de 33% e depois no Norte, com queda de 32% na produção. No Oeste do Paraná a quebra poderá chegar aos 25%.
Os números da quebra poderão ser maiores quando a colheita for normalizada. No Norte do Paraná, durante a semana, quando a chuva deu uma trégua e a colheita foi retomada, os produtores falavam em quebras de até 50%, localizadas em áreas onde a seca castigou as lavouras no final do ano passado e início deste ano. A chuva, apenas em alguns casos, prejudicou as lavouras, provocando fungos ou rebrota dos grãos.
O maior prejuízo da chuva foi o atraso da colheita. Em época normal 15% da produção do milho já estaria colhida. Segundo a agrônoma do Deral, Rossana Godoy, até agora pouco mais de 4% da área de milho de todo o Estado foi colhida.
Melhor no SulA situação é melhor para os produtores do Sul do Paraná, que detêm a maior área de cultivo de milho no Estado. São 720.720 hectares. A estimativa, no Sul, é de quebra de 4%, já que as lavouras não sofreram tanto com a seca. Choveu melhor na região e grande parte das lavouras são implantadas no sistema de plantio direto, que melhora as condiçõs de umidade do solo. A produção deverá ficar em 2.544.717 toneladas.
No Norte do Paraná a estimativa era de uma produção de 1.045.614 toneladas. Se confirmada a quebra de 32% a produção deverá ficar em 775.996 toneladas, numa área de 309.532 hectares.
PrejuízoO produtor Hélio Morandim, da Warta, distrito de Londrina, no Norte do Estado, plantou em setembro e terminou a colheita no último domingo. Morandim investiu para produzir média de 123 a 132 sacas por hectare. Colheu 61 sacas, a metade da sua expectativa inicial. Outro produtor da região de Londrina, Wilson Wentz, também investiu para produzir entre 145 e 165 sacas por hectare. Está colhendo 82 sacas por hectare.
Morandim e Wentz representam a situação da maioria dos produtores de milho do Norte do Paraná. Na região, a produtividade do milho ficou reduzida à metade. A estiagem no final do ano passado atrasou o plantio do milho e reduziu áreas de cultivo.
AdiamentosNas áreas onde, por causa da falta de água no solo, não foi possível plantar o milho a partir de setembro como é o indicado, entrou a soja, que foi plantada mais tarde. A seca provocou uma sucessão de adiamentos. Primeiro atrasou o plantio do milho de safra, depois a soja e este ano refletirá no atraso do milho-safrinha, quando a soja sair do campo.
As chuvas só vieram na segunda semana de fevereiro e pouco ajudaram a cultura do milho já que a esta altura a produção estava definida.
O prejuízo para o milho, segundo o agrônomo da Emater de Cambé, no Norte do Paraná, Alcides Bodnair, aconteceu a partir do déficit hídrico no plantio. Em agosto, segundo Bodnair, mês em que é definido o plantio de verão, não choveu um milímetro e em setembro (mês do plantio) choveu 58 milímetros, insuficientes para umedecer corretamente o solo. Com isso produtores atrasaram a implantação das lavouras.
Sem lucratividadeO produtor Lunardi Venturelli, de Arapongas, no Norte do Estado, deverá colher um pouco acima da média que será colhida na sua região, cerca de 100 sacas por hectare. Não terei prejuízo, mas também não terei lucro. A lucratividade, segundo o produtor fará falta na frente, quando serão necessários os investimentos na lavoura que ocupará o lugar do milho verão: a safrinha.
Em Sertanópolis, no Norte do Paraná, Antônio Luiz Bortholazzi, também investiu no milho para colher uma média de 120 sacas por hectare. Pela quebra deverá colher 75 sacas. Em outra área, onde presta serviços de colheita, Bortholazzi viu o produtor investir para produzir média de 123 sacas por hectare, mas a colheita deverá render apenas 62 sacas por hectare.
Everson Edilson Casagrande, também de Sertanópolis, é outro produtor que deverá colher média de 62 sacas por hectare. Casagrande terá ainda que contabilizar perdas também pelas chuvas da segunda semana de fevereiro. Parte das espigas da lavoura estão atacadas por fungos ou com rebrota dos grãos de milho.
Safrinha mais tardeO atraso no milho verão e na soja poderão trazer reflexos maiores para a região de Sertanópolis, uma das áreas onde mais se planta a safrinha de milho no Estado. A estiagem afetou não só o milho, mas também a soja, atrasando o início da safra. A soja precisa dar lugar a safrinha do milho a partir de 15 de março. Segundo os produtores, nesta data, grande parte da soja cultivada na região ainda não estará no ponto e o resultado será novo atraso. Desta vez, da safrinha.
Para a lavoura de safrinha de milho implantada a partir de 15 de março, segundo o produtor Antônio Bortholazzi, usa-se de alta a média tecnologia. Quanto mais tarde plantar, mais reduzidos serão os investimentos em tecnologia, com medo de geadas e falta de chuvas. A partir de abril, por exemplo, o milho safrinha é plantado com alto risco e baixíssima tecnologia, o que deverá ser uma tendência para este ano.Seca atrasou plantio e reduziu a produção de quem arriscou. Em algumas regiões quebra poderá chegar aos 50%
Dorico da SilvaColheita está atrasada em todo o Estado. Em épocas normais 15% das áreas já estariam colhidasEstiagem atrasou plantio e provocou quebra na produção de até 50%Venturelli, Casagrande e Bortholazzi, produtores de Sertanópolis. Prejuízos na safra e atraso da safrinhaCasagrande, de Sertanópolis, verifica prejuízos. Além da estiagem, a chuva causou estragos na lavoura. No detalhe espiga com fungos e grãos rebrotando





