O incentivo ao consumo humano do milho depende de mudanças e ampliação na área de cultivo do grão. Para o pesquisador Antônio Carlos Gerage, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), só a demanda da cadeia produtiva de carnes (aves, suínos e pecuária), vai exigir no próximo ano maior oferta de milho.
A exportação das carnes para o mercado europeu, na avaliação do técnico, está provocando o crescimento do setor. ''Há muitos compromissos já firmados com a exportação, e esses animais precisam ser alimentados''. A preocupação de Gerage, deve-se à redução da área plantada de milho no Estado, que segundo dados oficiais estaria em torno de 10% em relação à safra passada. ''Os indicadores das vendas de sementes apontam até 20% de redução no plantio'', destaca.
Gerage prevê ainda uma queda no volume de produção, pois o baixo preço do milho implica em redução no uso de tecnologias. ''Quem vai para a soja são produtores que registram alta produtividade no milho'', diz.
A redução na oferta do milho, de acordo com o pesquisador não ocorre apenas no Brasil. Os Estados Unidos, responsáveis por 240 milhões de t, anunciaram perdas na ordem de 8 milhões de t, equivalente a toda a produção do Paraná. O calor registrado na Europa também deve provocar quedas de produção.
A demanda atual de milho no mercado mundial, informa Gerage, é de 700 milhões de t. Como a produção fica em torno de 620 milhões, os estoques garantem a diminuição da oferta. As baixas registradas até agora, avalia, já provocam comprometimento na oferta mundial.
A preocupação do pesquisador do Iapar não é compartilhada por analistas de mercado agrícola. Esses profissionais, sem considerar o incentivo ao consumo humano do milho, garantem que está havendo ''sobra'' do produto no mercado mundial. ''A disponibilidade do milho no mercado externo dificultou a colocação do excedente brasileiro'', afirma Deives Faria da Silva, da FNP Consultoria & Agroinformativos, de São Paulo.
A redução de área de plantio, segundo ele, é mais evidente nos estados do Sul. No entanto, no Centro-Oeste e Nordeste, cuja produção não pode ser desprezada, a redução foi pequena. Silva prevê ainda um aumento de plantio no Oeste da Bahia em substituição à soja, prejudicada pela ferrugem.
Silva destaca que o milho safrinha, mesmo com os riscos climáticos, consegue otimizar a produção. Apesar disso, ele garante que ''o grão ainda é um bom negócio''.
O analista Leonardo Sologuren, da Céleres, de Uberlândia (MG), destaca que o preço do milho vem caindo no mercado internacional em pleno período de entressafra. Essa queda, segundo ele, tem que ser analisada sob dois aspectos: a queda do produto na Bolsa de Chicago e a não valorização do dólar frente ao real.
Mesmo assim, Sologurem também não deixa de considerar a cultura do milho como uma atividade rentável. Ele destaca ainda a importância do produto na profissionalização da agricultura e como opção na rotação de cultura. E, apesar das perspectivas de nova queda nos preços, o analista mineiro tranquiliza dizendo que ''as exportações tomaram força há três anos, e a comercilaização está se ajustando ao mercado internacional''.

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