Produção orgânica está em franca expansão
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sexta-feira, 27 de março de 2015
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
O Brasil tem vocação para a agronegócio e, ao longo de sua história e representatividade no setor, a agricultura convencional teve peso significativo para evolução produtiva, principalmente quando se trata de commodities. Correndo em paralelo a esse processo, o País também busca sistemas de produção mais sustentáveis, livres de agrotóxicos e integrados à flora e fauna: são os produtos orgânicos. Se por décadas a pesquisa, a indústria de insumos, o governo e até mesmo os produtores deixaram tal sistema de lado, o que se vê nos últimos anos é uma alta demanda pelos produtos livres de agroquímicos e a adesão de toda a cadeia produtiva.
Números divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostram o impacto de adesão ao mercado de orgânicos. Entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015, a quantidade de agricultores que optaram pela produção orgânica passou de 6.719 para 10.194, um aumento de 51,7% em apenas um ano. Na região Sul do País, por exemplo, o salto foi de incríveis 51,1%, atingindo a marca de 2.865 produtores. No Sudeste a alta foi de 59% e no Norte e Centro-Oeste, de 29,9% e 26,9%, respectivamente.
As Unidades de Produção também tiveram incremento em todo o território nacional. Passaram de 10.064 em 2014 para 13.323 em janeiro deste ano, acréscimo de 32%. Vale dizer que cada produtor orgânico pode ter mais de uma unidade de produção. Não foram compilados números específicos de cada estado.
Rogério Dias, coordenador de agroecologia da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC), ligada ao Mapa, explica os fatores para essa alta adesão dos produtores em apenas 12 meses. Ele cita, primeiramente, o crescimento da consciência da população pelo consumo de alimentos mais saudáveis, além dos resultados das políticas públicas, como o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), criado pelo governo federal para ampliar e efetivar ações para orientar o desenvolvimento rural sustentável. "O primeiro ciclo do Planapo (2013-2015) encerra este ano e já estamos construindo o Planapo 2, que será de 2016 até 2019. Analisamos os gargalos deste primeiro trabalho para construir o novo plano", explica ele.
Dias comenta também que atualmente, no País, há mais eventos técnicos voltados para a área de agroecologia e produção orgânica, mais crédito para os produtores, política de compras dos produtos (PAA e PNAE), além de tecnologia disponível, que inclusive é repassada entre os produtores. "Gradativamente, o conhecimento tecnológico, que antes era um grande desafio, começa a ganhar mais espaço. Hoje, os processos são muito claros e tudo é produzido de forma muito profissional."
Já no que diz respeito aos gargalos que estão sendo debatidos para o desenvolvimento do Planapo 2, Dias cita a "formação e requalificação da assistência técnica" e também o "desenvolvimento de novos insumos específicos para os orgânicos". "Por décadas, a produção dos insumos foi voltada para a agricultura convencional. O produtor não encontrava itens disponíveis para poder trabalhar neste sistema. Gradativamente, a situação está mudando."


