''O peixe é um bom negócio e só não está melhor porque a cadeia produtiva é desorganizada''. A declaração do coordenador estadual da área de pisicultura e pesca da Emater, Luiz Danilo Muehlmann, reflete a grande preocupação do setor. Intermediários, frigoríficos trabalhando a meia-carga, desequilíbrio entre produção extensiva e intensiva, e preços elevados ao consumidor são fatores que emperram o crescimento mais rápido no Estado.
O Paraná produz por ano 16,6 mil toneladas, segundo a Emater, com base na safra 2006/2007. Estima-se para a safra 2008/2009 um aumento de 15% a 20%. Ainda assim, o produtor quebra a cabeça para manter as contas em dia nos últimos meses, devido ao aumento das rações, causado pela alta do milho e da soja. ''Peixe é tido como alimento caro. Se o produtor não baixar o lucro, não vende'', comenta Muehlmann.
No Estado existem cerca de 22 mil produtores de peixe. Na região Oeste, os produtores priorizam a criação intensiva, focada na indústria, com padrões de qualidade e produtividade. Cascavel e Toledo produzem 50% do pescado estadual e contam com frigoríficos que escoam a produção. O Norte, responsável por 20% da produção, atende os pesque-pagues. Na região Sul, a Região Metropolitana de Curitiba é o principal centro de consumo e de concentração de pesque-pagues.
Um dos gargalos da cadeia é o processamento que atende apenas 30% do mercado. Somente nas regiões onde há indústria, o produto não sobra. No Norte há planos para implantação de novas plantas frigoríficas. ''Quando o pesqueá-pague abre temporada, há quem desvie a produção para ganhar mais porque o lazer remunera melhor. Em baixa, o produtor que pode, escoa para indústria, quem não pode, engasga e perde produto gerando custo adicional'', diz Muehlmann.
Em Curitiba faltam produtores intensivos. Em Bocaiúva do Sul, um frigorífico busca peixes em Santa Catarina para evitar a ociosidade. A Emater defende maior número de feiras livres como forma de facilitar o abastecimento a um custo mais baixo.
Na pisicultura o produtor planeja a atividade, diferente da captura em mar. O Paraná já foi exportador de peixe para EUA, mas com a queda do dólar, o mercado norte-americano deixou de ser interessante e o produto foi priorizado para o mercado interno. O filé da tilápia é um dos mais procurados pelo comércio, mas tem aumentado o espaço para o bagre, carpas e o jundiá.
O piscicultor paranaense já pode licenciar as instalações produtoras fixadas em áreas de preservação permanente. A determinação foi aprovada após estudos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Secretaria de Meio Ambiente e Ibama. A licença também permitirá acesso ao crédito rural.

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