Produção no Estado cresceu 207% em dez anos
A evolução da produção paranaense de orgânicos não fica apenas na vontade do agricultor em crescer. Os números já apontam para um aumento significativo no cultivo. Dados do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) apontam para uma elevação de 450 para 5 mil produtores entre 2002 e 2012. Já a produção, que na safra 2002/03 girava em 52 mil toneladas, fechou em 2011/12 próximo a 160 mil toneladas, crescimento de 207%. Só a olericultura representa 59 mil toneladas, ou 36% do total. Em Curitiba, são 11 feiras deste tipo de produto, de um total de 70 em todo o Estado.
Segundo o coordenador estadual de olericultura da Emater, Iniberto Hammerschmidt, a explicação para este "boom" é simples: a demanda de consumidores por alimentos mais limpos, saudáveis e livres de toxinas de agrotóxicos, que podem ser prejudiciais à saúde. "O produtor escolhe o plantio de hortaliças principalmente devido ao rápido ciclo de produção da planta. O alface, por exemplo, entre plantio e colheita, tem um ciclo de 60 dias", relata.
Em relação à comercialização destes produtos, Hammerschmidt salienta que se os agricultores estiverem trabalhando de forma organizada, conseguem agregar valor entre 30% e 50% a mais do que os convencionais. "Já o custo de produção é igual ou até menor do que vemos nas culturas tradicionais. A mão de obra, em contrapartida, acaba aumentando um pouco, já que não é possível o uso de herbicidas, por exemplo."
No que diz respeito à certificação dos produtores, o coordenador do Emater não considera que isso seja um empecilho. Hoje existem as certificações em grupo e até projetos no Estado para conquistá-la de forma gratuita. "O grande desafio é o período de conversão da cultura tradicional para a orgânica, que demora de um a três anos, e não há ajuda do governo neste período, em que o produtor praticamente fica sem rendimento. Passado esta fase, é mais tranquilo."
Para a próxima década, a expectativa do coordenador é um salto para 15 mil ou 20 mil produtores, triplicando o número de hoje. "Não há um pacote pronto para produzir orgânicos, mas aqueles que trabalham de forma séria conseguem retorno no mercado", completa. (V.L.)






