O Paraná e o Brasil são importadores de algodão: para um consumo previsto de 70 mil arrobas em pluma, o Estado colheu cerca de 46 mil arrobas em pluma, correspondentes a 125 mil toneladas de algodão em caroço, na safra 1999-2000. O Brasil todo produz 650 mil toneladas em pluma, enquanto consome 900 mil toneladas.
‘‘Portanto – observa o engenheiro-agrônomo Maurício Tadeu Lunardon, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, ‘‘as indústrias brasileiras necessitam buscar o produto no mercado internacional.’’
Mundo colhe menosSegundo a análise de Lunardon, baseando-se no último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial de algodão será menor na próxima temporada, que começará em 1º de agosto: a previsão inicial é que cairá de 18,99 milhões de toneladas nesta safra, para 18,94 milhões de toneladas. ‘‘O consumo, por sua vez, continuará se recuperando’’, diz Lunardon. O aumento previsto é de 1,4%, passando de 19,76 milhões de toneladas, em 99/00, para 20,03 milhões, em 00/01.
Confrontando os números de consumo e produção, deduz-se que haverá uma redução nos estoques finais que hoje são de aproximadamente 9,14 milhões de toneladas. Daqui a um ano, ao término da próxima temporada, estima-se que serão 8,05 milhões.
Custo e preçoOs preços nessa safra foram positivos e remuneraram os produtores, segundo Lunardon. Ele diz que a produtividade no Paraná chama a atenção: 2.300 kg/ha, contra 2.260 kg/ha na safra passada, apesar da seca. Ao contrário de ser prejudicial, o clima favoreceu a colheita (quando chove na colheita, a semente do algodoeiro perde peso). Mas, o algodão recupera-se bem. Os preços, considerados remuneradores até os produtores totalizarem as vendas, variaram de R$9,27 (a arroba de algodão em caroço) em março) a R$9,59 em abril e R$9,31 em maio, quando começou a ser colhido o algodão de Mato Grosso, maior produtor do País. Aquele Estado deve produzir 311 mil toneladas de pluma, aumentando consideravelmente a oferta do produto. O segundo produtor nacional é Goiás e o terceiro é Mato Grosso do Sul.
Comparando preço de venda pelo lavrador e custo de produção, o agrônomo do Deral garante que o algodão é viável no Paraná, principalmente para quem utiliza mão-de-obra familiar ou faz colheita mecanizada. O custo total estimado para essa safra chegou a R$1.723,00/ha, para produtividade de 2.000 kg/ha. Os custos variáveis alcançaram R$1.187,00. Portanto, a média atingiu R$1.300,00 no Paraná, enquanto em Mato Grosso calcula-se o custo em dólar ( US$1.300), porque naquele Estado são usados mais adubos e inseticidas.
O Paraná tem a vantagem de estar localizado entre os dois mais importantes pólos têxteis do País: São Paulo e Santa Catarina. Além disso, colhe antes de Mato Grosso e Goiás. Estes são também fatores positivos para a cotonicultura no Estado, aponta Lunardon.
O grande problema do algodão no Paraná é que historicamente chove na época da colheita. Mas, a irregularidade climática nos últimos dois anos beneficiou as safras. Por isso, embora seja ainda cedo para fazer uma previsão do futuro plantio, usineiros e comerciantes acreditam num aumento de 20 a 30% da área. A tendência é o preço da pluma cair, mas o Governo entra com financiamento, para tentar segurar a cotação.
O classificador Manoel Velasco informa que a Claspar, em Londrina, constatou uma qualidade de 6,36 na fibra analisada até final de maio. Não é a melhor classificação, mas pode ser considerada satisfatória. Cada fardo de fibra tem, em média, 196 kg.
MobilizaçãoEm agosto do ano passado foi fundada a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Apesar de recente, a associação possui grupos de trabalho nos Estados do Centro-Oeste, São Paulo e Minas Gerais e agora está se mobilizando para organizar também os produtores do Paraná. Lunardon tem alertado para a necessidade dos cotonicultores paranaenses se organizarem em defesa de uma política estimulante para o setor.
‘‘Segundo a sua apresentação institucional, a Abrapa é tida como a representante legítima dos produtores de algodão no Brasil, participando ativamente junto ao Ministério da Agricultura, apresentando sugestões para melhorias nas regulamentações do Governo sobre determinações da política agrícola, bem como participando junto a outros orgãos públicos e também privados’’, conclui o técnico.

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