CrescimentoA produção brasileira deve passaR de 26 para 29-30 milhões de toneladas este anoA produção mundial de soja deve crescer de 131,7 milhões de toneladas na safra 96/97, para 147,1 milhões de toneladas na safra 97/98. Para o Superintendente da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab-Paraná) no Estado, Eugênio Stefanelo, este aumento deve-se à recuperação da producão americana, que passará de 65 para 75 milhões de toneladas e da produção da América do Sul, de 41 para 47 milhões/t. Na América do Sul, destaca-se a produção brasileira, que sobe de 26 para 29-30 milhões/t.
O produtor deverá ter lucro na cultura, mas ‘‘não será aquele lucro que deu nesta última safra. Será um lucro menor’’, afirma Stefanelo. Por isto ele recomenda que o produtor deve racionalizar custos, investir em tecnologia para ter maior produtividade e, fundamentalmente, não deve abandonar seus planos de rotação de cultura, que garantem através dos anos bons níveis de produtividade, baixo ataque de doenças e pragas, e pequena perda de solo.
O consumo mundial deve subir de 114 milhões e 900 mil para 120 milhões e 100 mil/t. ‘‘Este aumento do consumo vem ocorrendo historicamente a uma taxa de 3% a 4% ao ano. Como a produção mundial cresce numa proporção superior ao consumo, nós teremos uma recuperação do estoque mundial, que passará de 13 milhões para 19,4 milhões mil toneladas’’. Isto, acrescenta, significa dizer que o aumento da produção mundial ocorre numa proporcão superior ao aumento do consumo.
Comportamento dos preços Com aquela expectativa existe uma tendência de baixa dos preços de mercado. ‘‘É por esta razão que a tendência do preço internacional da soja está na faixa dos US$230 a tonelada, para o primeiro trimestre do ano que vem. Pouco mais ou pouco menos, dependendo do comportamento do clima sobre a produção. Mas, de maneira nenhuma, em situação normal de clima, podem-se esperar aquelas cotações de soja que nós tivemos na safra passada, quando os preços chegaram a US$ 300 a tonelada a nível mundial’’, explica o superintendente da Conab.
O balanço da oferta e demanda de soja na safra 96/97 indica estoque inicial de 295.100/t e produção de 25 milhões 993 mil e 400 t. Com relação à importação, embora os dados da Conab ainda indiquem 1,2 milhão/t, na verdade, opina Stefanelo, o Brasil deve importar 1,6 milhão/t. Então, o suprimento será de 27 milhões 488 mil e 500 t, considerando a importação de 1,6 milhão/t. O consumo está estimado em 20 milhões e 700 mil t, considerando esmagamento, sementes, perdas e exportação.
‘‘No entanto, eu não tenho dúvida nenhuma de que a exportação deve ficar entre 7,5 e 8 milhões/t - provavelmente mais próxima dos 8 milhões/t - devido à redução do ICMS sobre exportação’’, calcula, acrescentando que até o final de julho já tinham sido fechados contratos de exportações no total de 6,1 milhões/t.
Importações x exportações Para a safra 97/98 Stefanelo prevê um aumento da área plantada de soja no Brasil em torno de no mínimo 8%. Além do aumento da área, o técnico salienta que os produtores de soja fazem ‘‘excepcional investimento em tecnologia e vão conduzir muito bem as suas lavouras’’. Se isto ocorrer, a produção brasileira de soja ficará entre 29 e 30 milhões de toneladas, ‘‘se nós tivermos boas condições de clima’’.
Com isto a importação ficará menor do que no ano anterior (safra passada) e a exportação, acredita Stefanelo, ficará no patamar de 8 milhões/t. Com o aumento da produção brasileira, o preço da soja no Brasil já é paridade internacional. ‘‘Isto significa dizer que no Brasil este aumento da produção consolidará uma tendência de preços da soja, seguindo a paridade internacional ou até, quem sabe, na época da safra ‘um pouquinho abaixo da paridade internacional’’’, acrescenta.
Rotação de culturas‘‘Ora, se nós tivermos torno de 230 dólares a toneladas, o preço no Paraná e Rio Grande do Sul será de 11 a 13-14 reais a saca, e no Mato Grosso de 9 a 11 reais a saca. Como o custo da produção da soja está entre 8 e 10 reais, dependendo da tecnologia e da produtividade, a soja continuará dando lucro aos produtores’’, afirma Stefanelo.
Ele lembra que é importamte o produtor não resolver plantar apenas soja, pensando no alto preço da leguminosa neste ano e no baixo preço do milho, abandonando os planos de rotação. Se fizerem isto estarão cometendo primeiro um erro técnico, porque terão abandonado a prática essencial da rotação; segundo, cometerão um erro econômico, porque estarão pensando no preço passado, e o preço futuro sinaliza quedas.
No caso do milho a sinalização de preços é inversa, diz Stefanelo: a produção mundial de milho será menor do que na safra anterior e a brasileira também, porque a área de milho na safra cairá no Paraná 15 a 16%, e no Centro-Oeste talvez mais do que isso. Como a área e a produção de milho devem, e como o estoque oficial de 6 milhões de toneladas, em grande, parte será usado neste segundo semestre, para o ano que vem a tendência é que os preços do milho sejam maiores do que os que vigoraram na safra deste ano, o produtor terá preços maiores e possibilidades de um lucro que não teve na comercilização desta safra. ‘‘Se o produtor vai ter lucro com milho e com soja, e quem sabe o milho renda até mais que a soja, não justifica que ele abandone totalmente a rotação de culturas para se lançar numa produção exclusiva de soja, pensando só no preço passado’’, argumenta Eugênio Stefanelo.

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