Produção mais rápida de sementes
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sexta-feira, 05 de março de 1999
Cristina Côrtes 
A espinheira-santa Maytenus ilicifolia, planta medicinal nativa do Sul do Brasil, leva aproximadamente 15 anos para frutificar em seu ambiente natural, nas matas e florestas. Em áreas experimentais do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em condições diferentes, a planta está produzindo sementes com apenas um ano. A redução no tempo de frutificação pode viabilizar a difusão da planta, que tem valor comercial e ecológico, e é considerada espécie em risco de extinção.
A descoberta foi feita por acaso pelo pesquisador do Iapar, Paulo Guilherme Ribeiro, que trabalha no Projeto de Adaptação e Propagação da Espinheira-Santa para Cultivo em Larga Escala, juntamente com a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade Federal de Minas Gerais. O processo foi descoberto quando procurávamos fazer a aclimatação das mudas. Elas passaram por um estresse climático e começaram a frutificar antecipadamente.
Paulo Guilherme Ribeiro comenta que deve aumentar a procura pela planta no mercado externoInteresseCom a inesperada produção de sementes, Paulo Guilherme começou a trabalhar com os testes de germinação e multiplicação de mudas. Uma planta chega a dar mil frutos e, destes, aproveita-se aproximadamente a metade. Desde a coleta das sementes até a muda pronta para ir para o campo demora uns seis meses.
A espinheira-santa já é bastante conhecida pelo seu uso medicinal no tratamento de gastrite e úlcera. Pesquisas feitas na Fiocruz já comprovaram sua eficácia, e para viabilizar sua utilização como remédio, pesquisadores se dedicam mais recentemente a estudar as características agronômicas da planta.Por isso o resultado de nosso trabalho na agilização da multiplicação de mudas é fundamental, destaca Paulo Guilherme.
Além de ser indicada para os problemas de estômago, pesquisadores brasileiros tomaram conhecimento de que os japoneses descobriram na espinheira-santa um poderoso analgésico, já testado para as dores mortais dos pacientes de câncer. As folhas da espinheira-santa manipuladas em tintura ou chá mostraram bons resultados para outros tipos de dores também. Mas a grande vantagem é que a planta não tem nenhum efeito colateral, e como sabemos a maioria dos medicamentos analgésicos até agora utilizados prejudicam bastante o estômago, destaca Paulo Guilherme.
Dorico da SilvaSanto remédioO extrato das folhas da espinheira-santa cura gastrite, úlcera e ainda é poderoso analgésico, sem contra-indicaçõesDemandaCom estas novas descobertas de uso da espinheira-santa, Paulo Guilherme acredita que deve haver uma demanda grande pela planta. Há uns três anos já tínhamos nos surpreendido com o volume de exportação das folhas de espinheira-santa para o Japão, conta o pesquisador. Até então, eles não sabiam da descoberta dos japoneses, de seu uso como analgésico e antiinflamatório.
No ano passado os japoneses patentearam o processo e uso desta planta no Japão, e os brasileiros estão preocupados, pois não sabem ainda se eles patentearam aqui no Brasil também. Paulo Guilherme comenta que recebeu correspondência da Fiocruz, avisando que vão interromper os trabalhos até que seja verificado se já houve ou não a patente no Brasil. A Fiocruz estava trabalhando no desenvolvimento de uma formulação para comercializar no Brasil.
A colheita das folhas tem sido feita de forma extrativista, o que está ameaçando a planta de extinção. O risco de não termos mais espinheira-santa no seu ambiemte natural é grande, pois esta planta tem sua forma de propagação difícil e um crescimento bastante lento, explica Paulo Guilherme.
MudasComo a procura pela espinheira-santa deve aumentar, o seu cultivo pode ser uma boa alternativa para áreas menos nobres da propriedade e serve também para compor a mata ciliar, com objetivos de preservação. A planta, típica da região Sul, tem se desenvolvido bem no Norte do Estado.
Para colher um volume expressivo de folhas, é só a partir do quarto ano de plantio. Outra alternativa é cultivá-la para produção de sementes e mudas. Os agricultores que tiverem interesse em mudas, podem procurar o Iapar. No momento existem duas mil mudas disponíveis para venda. Para quem quer explorar a planta com interesse comercial a oportunidade é boa, porque nem sempre há mudas disponíveis.


