Melhorar a produção leiteira nos assentamentos de Tamarana e região foi a meta assumida pelas comunidades e técnicos da Emater, Embrapa e outros parceiros durante o 1º Encontro Leiteiro da Agricultura Familiar. O evento, realizado na última quarta-feira, na comunidade Água da Prata, 185 pequenos produtores participaram de palestras e conheceram técnicas de manejo em três estações montadas em propriedades vizinhas à sede da comunidade.
''Viemos mostrar que a pecuária leiteira é uma boa opção de renda para a agricultura familiar. Para isso, vamos construir uma proposta de trabalho conjunto integrando parceiros e envolvendo diretamente os produtores assentados. A meta é darmos um salto na qualidade e quantidade do leite produzido na região'', assegurou o engenheiro agrônomo Ildefonso José Haas, gerente regional da Emater.
Um estudo apresentado pelo agrônomo Edson Pellegrini de Oliveira, técnico da Emater que atende a região, mostra que a produção leiteira nos assentamentos do município de Tamarana está muito abaixo da média registrada no estado e no País. ''A produtividade leiteira nas nossas comunidades é de 1,2 mil litros de leite/vaca/ano. A média nacional é de 1,65 mil litros, mas aqui no Paraná, os índices são maiores, 1,75 mil litros/vaca/ano'', comparou.
Com essa média, considerando um rebanho de cinco vacas em lactação mais o descarte de uma vaca e a venda de três bezerros, a renda anual dos produtores, segundo os cálculos do técnico, é de R$ 4.700,00 - menos de um salário mínimo por mês. ''Essa renda inviabiliza não só a atividade leiteira mas a própria sobrevivência dessas famílias'', alerta Oliveira. O rebanho leiteiro do município é de 5,5 mil cabeças e envolve 1,2 mil produtores, sendo 400 deles oriundos da agricultura familiar.
A proposta
A Emater em conjunto com a Embrapa Gado de Leite (Campo Grande-MS) e outros parceiros, combinaram com os participantes a implantação de um trabalho diferenciado até junho de 2009. A proposta é trabalhar com gado leiteiro mestiço de pequeno porte, sem estabelecer limites da produção diária de leite por vaca mas buscando um equilíbrio entre custo de produção e preço pago pelo leite.
No verão os animais devem ser criados a pasto, em piquetes bem corrigidos e adubados. No inverno, a nutrição dos animais receberá um reforço de cana de alto teor de açúcar com uréia, além de cuidados na sanidade do rebanho. A expectativa é para a produção de leite de qualidade, dobrando a média de produtividade atual.
Os produtores deverão, inclusive, atender a Instrução Normativa 51 - que determina um padrão sanitário para o leite. Já os técnicos vão estimular ainda a organização dos agricultores leiteiros para compras e vendas em comum.
Inicialmente, vão ser formados seis grupos entre os 15 assentamentos existentes de Tamarana, com a participação de 25 a 30 agricultores. A metodologia prevê a realização de reuniões calendarizadas na propriedade de um produtor colaborador. Essa propriedade ganhará o título de unidade tecnológica de referência e receberá, de forma planejada, as intervenções técnica e os experimentos de gramíneas e variedades de cana-de-açúcar para obtenção de resultados adequados a realidade local. A região faz parte de solo e clima em transição.
Para o pesquisador Leovegildo de Mattos, da Embrapa Gado de Leite, a receita de sucesso é simples: ''O leite tem que dar lucro com o menor custo de produção e para isso basta que o animal tenha comida coa e farta''.
A recomendação é para o pastejo direto no piquete de espécies perenes, sem rações caras, eliminando o custo da mão-de-obra para colher, picar e servir no cocho. ''A vaca é o melhor equipamento para colher e selecionar capim'', ensina Mattos. Na produção das forragens, o pesquisador orienta para a formação de um bom canavial, com variedade industrial que, bem manejado, pode durar até 10 anos.
Na composição do rebanho não é preciso comprar vacas adultas e altamente produtivas. ''Diminuindo os intervalos entre partos é possível produzir mais bezerras leiteiras, pequenas mas que produzam com eficiência uma boa média de leite diário e adaptadas à viver no pasto'', assegura.

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