Produção fora de época exige orientação técnica
A colheita fora de época é praticada nos estados da Bahia, Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo, mas no Paraná ainda não há nenhuma pesquisa em andamento sobre essa técnica. Mesmo assim, a orientação é de que os produtores interessados busquem informações com técnicos agropecuários e engenheiros agrônomos antes de dar início a esse novo modelo de produção.
Isaias Fidelis relata que utiliza três procedimentos para obter a colheita entre o final de fevereiro e início de março: poda drástica, aplicação de hormônio e retirada da florada. ''Fazemos a poda drástica todos os anos para manter o tamanho da planta. A poda tem que ser feita até, no máximo, 20 de abril'', orienta o produtor.
O segundo passo é aplicar hormônio para não permitir que a plante vegete. A aplicação é feita no final de maio. ''Sem vegetar, a planta fica com menos folhas e a fruta fica mais exposta ao sol. Assim, a manga fica com mais coloração e tem mercado melhor'', comenta Fidelis. O agricultor aplica o hormônio paclobutrazol (PBZ), dissolvido em água, no solo. Trabalhos da Embrapa Semiárido indicam o uso do paclobutrazol. No entanto, a Seab esclarece que esse hormônio ainda não está cadastrado do Estado do Paraná, pois a empresa proprietária ainda não efetuou a solicitação junto à Secretaria.
O último procedimento de Fidelis é a retirada da florada, que precisa ser feita até o final de agosto. Segundo o produtor, o custo total para fazer a colheita fora de época na região de Assaí é de R$ 12 por planta. De acordo com o engenheiro agrônomo José Francisco de Souza Germino, da Plantec, a técnica de produção de manga fora de época é desenvolvida desde a década de 1990 no semiárido brasileiro.
Entretanto, não é possível aplicar as mesmas indicações no Paraná, pois as condições climáticas são muito diferentes e podem interferir no resultado do processo. ''Aqui os resultados são muito positivos, os produtores podem colher manga em qualquer época do ano. Mas no Paraná, as chuvas e a baixa temperatura podem interferir. O produtor precisa ver como essa tecnologia está coerente com o clima de sua região'', esclarece.
Segundo Germino, a poda é feita para estimular a vegetação e o PBZ regula o crescimento vegetativo da mangueira. Nos trabalhos desenvolvidos no semiárido, após o uso do hormônio, é preciso aplicar um estimulante de diferenciação floral, como nitrato de potássio, de cálcio ou de amônia. O agrônomo salienta que a dosagem desses produtos depende de uma análise de cada planta, que leva em consideração o tamanho da copa, o enraizamento, a idade e o vigor da planta, dentre vários outros fatores. ''As vezes, em um mesmo pomar, são usadas várias dosagens'', explica. Em relação a retirada da florada, Germino afirma que no semiárido esse procedimento não é necessário, pois ocorre naturalmente uma queda fisiológica da floração.(M.F.)





