Produção familiar em condomínio
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sexta-feira, 12 de setembro de 1997
Marcos Zanatta Maringá 
Fotos: Marcos NegriniRoça própriaA família Teixeira agora trabalha em lavoura própria, no sistema condomínioO presidente da Associação das Indústrias de Derivados de Mandioca do Paraná, Demerval Silvestre, está buscando no Governo do Estado a parceria para ampliar o projeto de Condomínio de Produção Familiar. Adotado no ano passado em cinco alqueires de uma propriedade de Silvestre em Cruzeiro do Oeste, envolvendo duas famílias, o projeto já abrange 44 alqueires, com 12 famílias, em dois municípios: Cruzeiro do Oeste e Tuneiras do Oeste.
Demerval afirma que o sistema traz vantagens para todo o segmento, e vem despertando o interesse de municípios, dos proprietários e das indústrias. Através do condomínio o dono da propriedade cede a terra, pronta para o plantio, para famílias de trabalhadores rurais. Como o custo inicial é alto, é preciso um investimento por parte do agricultor para preparar o solo, explica. As famílias envolvidas no projeto normalmente são pequenos produtores, funcionários de fazendas ou bóias-frias que conhecem a lavoura. A partir do plantio a cultura fica sob a responsabilidade da família até a colheita. A parceria envolve também as indústrias, e por isso a safra é comercializada no pico do preço da mandioca, e o lucro dividido ao meio entre as duas partes (proprietário e parceiro).
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A vantagem do projeto, segundo Silvestre, é a garantia do proprietário manter a produção sem envolvimento trabalhista com o parceiro, a geração de emprego para o homem do campo e o abastecimento das indústrias da região. No campo, continua, a vantagem é o aumento da produtividade com a redução dos custos. Ele compara que enquanto o custo de uma lavoura convencional gira em torno de R$540,00 o alqueire ao ano, no condomínio sai por R$120,00. A produtividade, que na lavoura normal fica entre 55 e 60 toneladas por alqueire, chega a 75 toneladas nas áreas de condomínio.
Falta apoioMas estamos encontrando dificuldades em iniciar a expansão do projeto devido a falta de apoio, afirma. Entre as principais reivindicações que Silvestre apresentou ao Governo, estão o repasse de cesta básica para as famílias que entram no condomínio; a criação de patrulhas mecanizadas nos municípios, para o preparo o solo; o repasse de calcário subsidiado e um seguro-rural para garantir a lavoura. Comparando com os benefícios sociais, o custo do projeto para o Estado é baixo, garante.
Ele diz que as famílias que estão entrando no condomínio são obrigadas a fazer serviços extras fora, para se manterem até a primeira colheita. Por isso o repasse de cesta básica poderia auxiliar na alimentação, garantindo pelo menos o mínimo necessário para as famílias iniciarem a parceria. Como a região é de pecuária, nem sempre as famílias conseguem trabalho para se manterem, explica.
Através das prefeituras, o Governo poderia criar patrulhas mecanizadas e repassar calcário a preço subsidiado, auxiliando inclusive os proprietários interessados em entrar no sistema, mas impossibilitados de investir devido à descapitalização do setor rural. Já o seguro rural, diz Silvestre, funcionaria nos moldes do Proagro, garantindo o investimento em caso de frustração de safra por problemas naturais. Ele explica que através da experiência do projeto em áreas próprias, está corrigindo os erros, e que a partir de agora o sistema de condomínio só precisa de um apoio inicial para dar resultados em todos os sentidos.
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Mais parceriasO Governo poderia também adotar programas de moradias para as famílias envolvidas no condomínio. Hoje, explica Silvestre, as famílias estão morando em casas existentes nas propriedades ou em locais improvisados. Ele defende ainda a implantação do projeto nas vilas rurais implantadas pelo Governo em todo o Estado. Um coordenador do programa de vilas rurais conheceu o sistema de condomínio em Tuneiras do Oeste (Noroeste do Estado), e levou a idéia para ser analisada.
Outra parceria que poderia viabilizar a expansão do condomínio, afirma Silvestre, seria com as indústrias. As empresas poderiam dar apoio para iniciar o projeto em áreas próximas da indústria, garantindo o abastecimento, sugere. Ele explica que a falta de controle da produção tem gerado uma superoferta ou a falta do produto nos últimos anos, afetando todos os segmentos envolvidos. Com o sistema de condomínio será possível controlar melhor a oferta e evitar os problemas que o setor sempre enfrentou no abastecimento das indústrias, afirma.


