O pequeno empresário Marino Casagrande de Paula tornou-se produtor de buchas por acaso. A pedido de um agricultor de Floraí, começou a divulgar o produto em Curitiba e São Paulo há nove anos. A demanda foi tanta, que Paula abandonou a empresa familiar de calçados para se dedicar exclusivamente à nova atividade.
Ele iniciou o plantio com 1,2 mil pés e hoje já cultiva 8 mil pés na comunidade KM 14. O empresário lidera as seis famílias produtoras da região e com cerca de R$ 100 mil em recursos do programa Paraná 12 Meses montou uma agroindústria para absorver a produção local. ''São mais de 300 mil buchas'', calcula.
Segundo Paula, os agricultores são contratados e pagos mensalmente pelas entregas semanais. ''Eles têm a garantia de que vão receber do começo ao fim da safra'', diz.
Hoje, parte do trabalho da agroindústria é terceirizado, como a costura, por exemplo. ''Na época da entressafra empregamos as próprias famílias de produtores na costura e embalagem das buchas'', assinala Paula. Segundo ele, a empresa gera quatro empregos diretos e 40 indiretos na cidade durante a safra.
''Por ser produtor conheço a realidade do campo e sei da importância de ter a venda garantida antes mesmo do plantio'', afirma o empresário. ''É isso que quero com a agroindústria, garantir uma distribuição mais humana da renda'', completa.
Ele ressalta que só compra a produção de pequenos agricultores. ''Nosso objetivo é oferecer uma alternativa para que os pequenos continuem na terra'', diz. Os produtores da comunidade KM 14, de acordo com Paula, já contam até com um barracão para estoque da colheita. ''No futuro, cada produtor terá seu próprio box para administrar sua produção como quiser'', informa.
Com a agroindustrialização, o empresário agrega cerca de 30% ao valor do produto bruto. No total, são comercializados 12 modelos de bucha para higiene pessoal in natura e transformada. O destino principal é o mercado paulista.
Para Paula, um fator limitante para o comércio de buchas ainda é o giro lento do produto nos supermercados. ''O consumidor deveria trocar de bucha a cada quatro meses, mas na prática isso não ocorre'', alerta.
Apesar das dificuldades, o empresário vê a cultura com otimismo. ''Além de industrializar o produto, queremos ser fornecedores de matéria-prima para grandes empresas'', finaliza.

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