Produção e preservação na pauta da sociedade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de abril de 2009
Erika Zanon e<br>Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Na pauta da sociedade está o meio ambiente. A falta de preservação ambiental e os crescentes problemas que o planeta tem enfrentado em decorrência disso têm sido assunto para inúmeros debates nos mais variados setores. Soma-se a isso a preocupação com a produção de alimentos e sua possível escassez dentro de algumas décadas e tem-se em mãos obstáculos que desafiam os maiores especialistas mas que precisam de soluções rápidas e equilibradas.
No Brasil, a implantação do Código Florestal tem provocado discussões acaloradas. De um lado ambientalistas defendendo pontos que consideram cruciais para minimizar o desmatamento, por exemplo, e recuperar algumas áreas devastadas. De outro lado agricultores lutando por mudanças na lei para que possam continuar na atividade. Representantes do setor agropecuário afirmam que o código atual não tem como ser implantado e defendem mudanças concretas.
O código vigente foi criado em 1965 e não condiz com a realidade atual do agronegócio brasileiro, apontam agropecuaristas. O próprio ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, é a favor dessa alteração. Segundo ele, cerca de um milhão de pequenos e médios produtores rurais do país poderão ter as atividades inviabilizadas se não houver mudanças no atual Código Florestal Brasileiro. Além disso, a produção agropecuária pode cair drasticamente, tornando o País dependente e importador de alimentos.
Um decreto assinado pelo presidente Lula, entretanto, prevê que a partir do final deste ano os produtores comecem a ser punidos pelo descumprimento do código atual.
Entre as propostas do setor agropecuário para o novo Código Florestal está a incorporação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) com a área de reserva legal. Ainda permitir a continuidade das atividades agropecuárias em áreas de preservação permanente consolidadas em uso há mais de 10 anos, com a utilização de tecnologias conservacionistas e autorizar a recomposição da Reserva Legal com a utilização parcial de até 50% de espécies arbóreas econômicas consorciadas com espécies nativas. Além do pagamento aos proprietários rurais por serviços de manutenção e conservação da floresta, conhecidos como serviços ambientais.
Na opinião do presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Kireeff, é preciso principalmente avaliar a vocação de cada área, a lei tem de ter especificidades para que um cuidado ambiental não comprometa a produção de alimentos. Ele pontua que é interessante indicar áreas vocacionadas a produção de alimentos e áreas vocacionadas a preservação ambiental e dar tratamentos diferenciados para essas duas questões.
Nesse sentido, a 49ªExposição Agropecuária e Industrial de Londrina tem como tema Produzir é preservar. Durante todo o evento serão discutidos pontos concernentes ao tema, com o objetivo principal de despertar iniciativas no sentido de garantir a produção de alimentos e ao mesmo tempo preservar o meio ambiente.
Para embasar o tema e apresentar os pontos de cada setor, a FOLHA ouviu especialistas, produtores e lideranças, bem como foi atrás de alguns projetos que estão sendo colocados em práticas e que beneficiam tanto o produtor quanto o meio ambiente.


