Fotos: Andenésio ZanellaProduçãoA região tem 4,7 mil hectaresUma das maiores regiões produtoras de banana do Paraná, localizada no município de Foz do Iguaçu, perde boa parte de sua produção por falta de infra-estrutura para escoamento da fruta. A Vila Bananal, conhecida também como Gleba Passo-Cuê, cultiva aproximadamente 150 hectares de banana, e 40% de sua produção se perde por falta de condições de transporte.
As lavouras estão instaladas numa área praticamente ilhada pelo lago da Usina de Itaipu, e com apenas uma estrada de acesso aos bananais, o que dificulta a comercialização, apesar de ficar somente 58 quilômetros distante de Foz do Iguaçu.
A comunidade, onde vivem 20 famílias, tem uma área total de 4,7 mil hectares e colhe 10 mil toneladas de banana por ano, o que tem proporcionado uma renda anual de aproximadamente R$ 1,2 milhão. O cultivo da banana gera 200 empregos diretos, 60 deles envolvidos exclusivamente na produção da fruta. É o caso de Walmor Biachini, administrador do Sítio Laranjal. Ele toma conta de aproximadamente 48 ha do empresário Alci Carlos Sereni.
Vila Bananais produz até a embalagem das frutas
Produção e mercadoA bananeira dá fruta o ano todo, mas é preciso cortar o caule e aproveitar as mudas que crescem nas laterais dos pés. Em seis meses a muda ganha força, cresce e dá flor, o ‘‘coração’’. Mais três meses são suficientes para o ‘‘coração’’ se transformar em cacho de banana. Raramente, um mesmo caule produz dois cachos.
Bianchini conta que a produção da área chega a 3.500 caixas de banana por mês. Parte é vendida para a região Oeste do Estado, mas também atende o mercado externo, exportando para o Paraguai e para a Argentina. No entanto, isto não lhe rende muito. Cada caixa com 22 quilos da fruta é vendida por R$ 2,40, enquanto os supermercados da região vendem as bananas por R$ 0,80 o quilo.
Produtores colhem cerca de 10 mil toneladas por ano
Como ele mesmo vende a sua própria safra, faz uma seleção das melhores frutas e consegue melhorar o preço, vendendo a banana classificada como de primeira qualidade por até R$ 3,00 a caixa.
Se comparado com outros produtores, o lucro de Biachini é razoável. O agricultor Divo Rossi, que também produz 3.500 caixas/mês, reclama do preço. Sem estufa para madurar as frutas, e comercializando através de intermediário, ele consegue vender cada caixa de banana por apenas R$ 1,80. Um intermediário vende 90% da produção para o mercado paraguaio.
DificuldadesA região da Vila Bananais é responsável pela metade dos royalties pagos pelo Governo Federal para a Prefeitura de Foz do Iguaçu, uma espécie de retribuição aos municípios atingidos pelo Lago de Itaipu. Apesar da sua importância, a região recebe pouco em troca. O bananal fica geograficamente isolado de Foz e mais próximo de São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu. Há alguns anos São Miguel tentou anexar a região ao seu território. Por causa dessa disputa entre Foz e o município mais próximo, a comunidade às vezes é chamada de ‘‘Malvinas’’, numa alusão às ilhas Malvivas, ou Falklands, disputadas pela Inglaterra e Argentina em meados da década de 80.
Bananas passam por processo de limpeza
A Vila Bananais fica a 22 quilômetros da BR 277, na altura de São Miguel. Desse trecho, 12 quilômetros são de terra. ‘‘Quando chove, a gente tem que ir cortando barro até o calçamento’’, reclama Biachini. Rossi explica que é necessário transportar com tratores toda a produção, até locais seguros e sem o risco de atolamento. Os solavancos da estrada estragam as bananas, no trajeto entre a roça e os galpões de embalagem. ‘‘Com as chuvas, perdemos até 40% da produção’’, lamenta Rossi. Como a banana tem que ser comercilizada ainda verde, a produção isolada pela chuva acaba indo para o lixo.
AproveitamentoO Secretário do Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento de Foz do Iguaçu, Ramiro Leite, propõe que as sobras sejam aproveitadas na merenda escolar do município; e que a banana hoje é jogada fora seja transformada em doce. ‘‘Isto é um processo mais demorado. Nós estamos dotando a região de infra-estrutura para que as ‘Malvinas’ possam produzir mais, pois a atual produção não é suficiente para se montar indústrias’’, diz o Secretário.
A produção da banana utiliza 200 trabalhadores na região
Além disso, o Secretário está conversando com a Copel para levar energia elétrica trifásica à região, nos próximos meses, o que possibilitará a instalação de estufas para madurar as bananas, e a instalação de cabos suspensos (‘‘teleféricos’’) para levar a produção até os barracões. A prefeitura de Foz do Iguaçu, que pensava em asfaltar a estrada de acesso, para acabar com as deficiências no transporte, descobriu que a Usina de Itaipu já tinha esse projeto.
Os plantadores da região se gabam de ter uma fruta de primeira qualidade. Após a colheita, as frutas são transportadas geralmente em ganchos, para evitar arranhões. Em galpões, eles ‘‘despencam’’ os cachos e passam por tinas de Benlate, um fungicida atóxico quando usado corretamente. Essa solução, além de proteger a casca da fruta de fungos, proporciona um brilho que agrada os consumidores.

mockup