Produção deve ser de qualidade
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sexta-feira, 11 de abril de 1997
Luiz Taques 
O agricultor deve se preocupar mais com a qualidade do café. Esta foi a conclusão a que chegaram pesquisadores e produtores que participaram de encontro na última quarta-feira, no Auditório Milton Alcover, no Parque de Exposições Ney Braga, onde se discutiram os rumos da cafeicultura paranaense. Aproximadamente 150 produtores participaram do encontro.
Pela estimativa da Secretaria de Estado de Agricultura, o Paraná colher, este ano, em torno 1,7 milhão de sacas de café. Nos 200 municípios onde a lavoura é cultivada, a cafeicultura emprega aproximadamente 60 mil pessoas.
A proposta é termos uma das melhores cafeiculturas do País, disse o agrônomo Florindo Dalberto, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Precisamos acabar com essa pecha de que o nosso café é de péssima qualidade, mas, para isso, é necessário que o produtor tenha consciência de que o consumidor é o maestro desse negócio, observou.
ViabilidadeSegundo o agrônomo Adelar Antônio Motter, também do Iapar, até o final do ano deve ficar pronto um estudo encomendado pelo Governo do Estado sobre a viabilidade da cafeicultura. Precisamos diagnosticar se esse mercado está apto para assimilar, pois, caso contrário, vamos ter de procurar outro mercado para o nosso café, afirmou o pesquisador Adelar Motter.
Atualmente, dos 16.800 cafeicultores do Estado, 3.527 cultivam café adensado ou superadensado, conforme estudo do agrônomo Rafael Figueiredo, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Paraná (Emater). Eles são responsáveis por 9.925 hectares plantados - a área total plantada de café no Paraná é de 134.700 hectares.
Carlópolis e Londrina são hoje os dois municípios que mais produzem café no Paraná, cada um com 4.600 hectares plantados. O agrônomo Rafael Figueiredo, da Emater, alertou para o fato de que poucos produtores estão plantando café com mudas enxertadas. Em regiões onde isso acontece, segundo ele, em cinco anos a cafeicultura pode estar comprometida.
A melhoria da qualidade do café passa necessariamente, na opinião do agrônomo Francisco Barbosa Lima, do Departamento Nacional do Café (Denac), no procedimento correto de plantio e colheita. As orientações dele para o produtor são as seguintes: é preciso utilizar variedades de maturação precoce nas regiões altas e variedades tardias nas regiões baixas, e estimular o uso da colheita de pano em todas as regiões.
Nas regiões baixas, prossegue o agrônomo Francisco Barbosa Lima, é fundamental fazer a colheita com o máximo de frutos maduros e com o mínimo de frutos secos; e, nas regiões altas, com maturação desigualada, o produtor deve colher parceladamente.
Outra recomendação do agrônomo do Denac é o produtor não misturar lotes de café de diferentes qualidades. Infra-estrutura de secagem deficiente, variedades inadequadas para algumas regiões, são outros problemas constatados na cafeicultura paranaense por Francisco Barbosa Lima.
O agrônomo da Emater, Rafael Figueiredo, lembrou que o baixo uso de adubos verdes e poucas lavouras arborizadas também são prejudiciais aos cafezais. Café exige planejamento integrado e prioridade de assistência técnica ao agricultor, salientou Figueredo.


