Os produtores de uva de Nova Esperança (Noroeste do Estado) estão subdividindo a associação do setor por variedade cultivada, que vai garantir um acompanhamento técnico mais adequado. O principal objetivo, explica o Secretário de Agricultura do município, Osvaldo de Pádua, é garantir a qualidade da uva produzida e com isso abrir o mercado para a fruta em grandes centros consumidores.
Hoje, Nova Esperança possui cerca de 120 produtores, todos com pequenas áreas da cultura. ‘‘A primeira orientação é evitar que o agricultor plante uma parreira acima da capacidade técnica, permitindo um manejo mais adequado e evitando a superprodução e consequente queda nos preços’’, diz Pádua. Como os pequenos produtores já têm experiências de resultados positivos com associações, formaram também uma entidade para defender os interesses da uva.
Mesmo com um número ainda pequeno de produtores e de área plantada, já que são cerca de 120 hectares de parrerais, existe potencial para o crescimento da atividades. ‘‘Foram formados grupos de produtores conforme o tipo de uva cultivada, o que vai garantir uma melhoria na assistência técnica e consequente aumento na qualidade do produto’’, acredita Pádua. As principais variedades cultivadas em Nova Esperança são a Benitaca e a Brasil, mas existem áreas com Itália e Rubi.
Dia de campoUm dia de campo realizado na semana passada, repassando novas tecnologias para a uva, previa reunir apenas produtores da região. ‘‘Mas acabamos atraindo até agricultores de outros estados’’, afirma Pádua. Ele diz que o principal objetivo do município é buscar a diversificação, mas com culturas que tragam retorno para os pequenos produtores.
Pádua acredita que a área de uva ainda tem como crescer, desde que exista ordem na expansão da cultura. A orientação é de plantio de máximo meio hectare. ‘‘Estamos repassando projeto técnico e tecnologia para evitar prejuízo com um crescimento desordenado da cultura’’, diz Pádua.
Ele afirma que a uva, assim como outras culturas incentivadas pelo município, pode ser a salvação das pequenas propriedades e do emprego no campo. Pádua explica que hoje 16% da área agrícola de Nova Esperança é ocupada por amoreiras, enquanto o bicho-da-seda corresponde a 36% do Valor Bruto da Produção (VBP) do município. A uva, apesar de estar com apenas 0,3% da área, já representa 5% do VBP. A vantagem pode ser medida se comparadas as médias com a pecuária, que ocupa 62% da área do município e 14% do VBP. ‘‘A diferença é grande, mas as vantagens não param por a풒, diz Pádua.
Em um município pequeno, que depende da agricultura, as alternativas de sobrevivência das pequenas propriedades devem ser metas da administração, afirma. Ele calcula que com a uva, será possível criar uma média de cinco a oito empregos por hectare. ‘‘O que é muita gente se levarmos em conta a crise de empregos e a falta de opção para o trabalhador rural’’, salienta o secretário de Agricultura.

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