Apesar das variáveis climáticas que atrapalharam a produção brasileira de mel no ano passado, as técnicas de manejo e tecnologias utilizadas em Ortigueira continuam colocando o município no topo da lista de produção no Estado. Com aproximadamente 300 apicultores, a média produtiva da safra 2013/14 fechou em 500 toneladas. Este ano, a expectativa é atingir entre 600 e 700 toneladas, um aumento de até 40% e se tornar novamente a principal cidade produtora do País.

O engenheiro agrônomo do Instituto Emater que trabalha com os apicultores da região, Henry Rosa, explica que mesmo com a instabilidade climática, as colmeias produziram na média e até acima dela em alguns casos. "Quem se dedicou um pouquinho mais em relação ao manejo, se surpreendeu com os resultados deste ano. Fecharemos a safra no dia 30 de junho, mas os resultados da produção da safra 2014/15 saem apenas no ano que vem", explica Rosa.

Entre as preocupações dos produtores em relação ao manejo, o agrônomo do Emater relata que eles estão mudando algumas atitudes que fazem toda a diferença nos resultados finais. Os principais são a troca de rainha das colmeias e a suplementação alimentar das abelhas no inverno. "A partir do terceiro ano, a rainha começa a ficar mais fraca e acontece uma redução natural de produção. Se o produtor conseguir fazer essa troca de rainha anualmente, seria o ideal. Já no caso da alimentação durante o inverno, é importante pois quando há o retorno da florada, já está sobrando mel na colmeia. Batemos nessas duas teclas pois fazem toda a diferença", salienta.

Existe ainda uma expectativa que o mel de Ortigueira seja o primeiro do País com denominação de origem protegida, o que pode aumentar seu valor agregado. Henry comenta ainda que o município ainda tem capacidade até para triplicar a produção. "Se houvesse um trabalho de remanejo do posicionamento de apiários de acordo com o pasto apícola da região, a produtividade poderia aumentar consideravelmente", conclui ele. (V.L.)

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