Mercado certo, aumento da procura e aptidão agrícola são argumentos fortes para o incentivo ao plantio e produção de óleos essenciais na região de Londrina. Basta saber que o Brasil produz apenas 3% do óleo essencial que consome e que 60% dos produtos alopáticos e 80% dos homeopáticos são compostos por óleos essenciais.
Uma iniciativa do escritório da Emater em Londrina vai tentar formar a cadeia produtiva, incentivando o cultivo de plantas potenciais e organizando produtores para viabilizar o processamento e venda do produto. Nesta semana, agricultores e lideranças rurais participaram de um dia de campo na propriedade da família Kariya, na zona sul de Londrina.
Houve a demonstração do funcionamento de uma destilaria para a extração do óleo e palestra sobre as principais alternativas para a região. Uma parceria entre a Emater, a empresa New Road Trading e a família Kariya transformou a propriedade numa unidade de demonstração. Grupos interessados em conhecer a cadeia de produção dos óleos essenciais podem agendar visitas no escritório da Emater ou da New Road.
O cultivo de plantas potenciais é, além de tudo, uma alternativa de renda para a agricultura familiar, como argumenta Paulo Roberto Mrtvi, do escritório local da Emater, em Londrina. ''A produção dos óleos pode fixar a mão-de-obra no campo'', diz. Segundo o técnico, a região tem ainda como vantagem o maior período de insolação, que favorece o cultivo dessas plantas. A região norte tem aptidão para a produção de eucalipto, capim limão, vetiver, citronela, mentas, aroeira rosa, aroeira falsa e louro, entre outras.
O mercado dos óleos essenciais está em expansão. Ao mesmo tempo em que o Brasil importa matéria-prima da Malásia, Índia e China, países como Alemanha e Holanda têm interesse na produção brasileira. O valor do produto é atrativo. ''Um quilo de óleo da laranja petitgrain, que é base do channel nº 5, custa US$ 300, o basilicão, ou manjerona, sai por R$ 500'', exemplifica Nilson Romero Jandre, sócio-gerente da New Road, que comercializa a máquina para a extração do óleo e firma contratos com compradores no Brasil e exterior.
Segundo o gerente da empresa, o interesse principal não é comercializar a máquina e sim viabilizar um volume de produção capaz de atender os pedidos. O processamento pode ser garantido com a organização dos produtores. ''Uma destilaria pode atender um conjunto de 10 a 12 produtores, vinculados a uma associação ou cooperativa'', afirma Paulo Mrtvi.
O projeto também pretende envolver as mulheres dos produtores, com o incentivo à fabricação de sachês e objetos de artesanato com as essências. Márcia Kariya, esposa de um dos proprietários da área, Jorge Kariya, está discutindo com as mulheres a escolha de tecidos e produtos para a confecção das peças. ''Temos um mercado para o artesanato, que poderá ampliar a vocação da cidade para além do turismo de eventos'', diz Márcia.

Serviço:
Visitas à unidade de demonstração podem ser agendadas pelos telefones (43) 3326-1629 ou 3028-6767. Recomenda-se a formação de grupos de até 15 produtores.

mockup