Preços baixos e a dificuldade de comercialização do trigo, somados ao alto risco de prejuízos climáticos, fizeram muitos produtores paranaenses substituírem o cereal por outras culturas ao longo das últimas safras. Em três anos, a área cultivada com trigo no Estado sofreu uma redução de 430 mil hectares, passando de 1,3 milhão de ha em 2009 para 871 mil ha em 2012. Para ocupar essa área 'vazia', a maioria dos produtores optou pelo milho safrinha, que vem apresentando alta rentabilidade e preços competitivos. Mas nem todas as regiões do Estado permitem o plantio do milho nessa época, e, a cada safra de inverno, o cultivo de aveia, cevada e canola ganha mais espaço nos campos paranaenses.
Nesta safra, a área cultivada com aveia branca teve um incremento de 7%, o que deve resultar em uma produção 30% maior em comparação ao ano passado. Levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), aponta que o volume produzido este ano deve chegar a 152 mil toneladas, em comparação às 116 mil toneladas do ano anterior. Mesmo com o crescimento, a cultura ainda ocupa apenas 5% da área cultivada no inverno no Paraná. A produção está concentrada nas regiões de Ponta Grossa, com mais da metade da área no Estado, Apucarana e Guarapuava.
De acordo com Marcelo Garrido, economista do Deral, esse crescimento representa uma recuperação diante da área perdida na safra passada em função da forte geada que afetou a produção de aveia no Estado. ''No ano passado, a geada causou uma redução de 27% na produção, mas na safra 2009/10 a cultura havia registrado um aumento de área de 25% e de produção de 47% no Paraná'', revela.
Entre as outras culturas, a cevada apresentou aumento de 13% na área cultivada no Paraná, resultando em uma produção estimada de 222 mil toneladas, volume 14% superior à safra anterior. Em contrapartida, o trigo sofreu redução de 17% na área cultivada, o equivalente a 178 mil hectares a menos se comparado ao ano anterior.
Mauá da Serra
A produção de aveia branca da cooperativa Integrada se concentra na Unidade de Mauá da Serra, Norte do Estado, onde reúne cerca de 30 cooperados que produzem a gramínea. A colheita da cooperativa é comercializada na própria cidade e nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. O coordenador técnico da Integrada, Gilberto Takeo Yano, afirma que a cooperativa deve produzir 3.700 toneladas do cereal em uma área total de 1.500 hectares. ''A aveia, para a região, é uma necessidade. Precisamos fazer rotação com o trigo para evitar a doença fúngica conhecida como mal do pé e o clima frio torna o cultivo de milho safrinha muito arriscado'', esclarece. Segundo Yano, a doença pode causar perda de até 50% do trigo.
Em Mauá da Serra, a produção de aveia é industrializada na SL Alimentos, que também processa cevada, centeio, arroz e trigo. A empresa fabrica principalmente produtos para alimentação humana, com uma pequena participação de produtos destinados à alimentação animal. A indústria está entre as maiores processadoras de aveia, cevada e centeio da América do Sul e distribui os produtos em todo o País. O diretor industrial, Thomaz Setti, afirma que o consumo de produtos integrais e de alta fibra é maior no Sudeste, no Sul e na região Nordeste.

Imagem ilustrativa da imagem Produção de grãos está diversificada neste inverno
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