A canola ainda caminha tímida em meio aos números estrondosos de outros grãos produzidos na safra paranaense. Porém, o seu alto potencial para a extração de óleo, excelente mercado comprador e bons preços mostram que a "soja de inverno" tem potencial para sair da posição de cultura esporádica e se tornar forte nos sistemas produtivos da região Sul e Centro-Oeste do País, locais onde o clima frio é mais propício ao seu cultivo. O aumento da área, produção e produtividade em solo paranaense nas últimas três safras provam que a cultura deve ser vista com atenção no Estado.
O crescimento contínuo da produção mostra que os agricultores estão investindo na canola, pensando em insumos e assistência técnica. Na safra 2010/11, a produção fechou em 15,6 mil toneladas, saltou para 21,3 mil na safra seguinte e este ano deve fechar em 24,9 mil toneladas, aumento de 59% neste período. O grão é plantado nos meses de abril, maio e junho e a oleaginosa será colhida entre setembro e outubro.
Até agora, 85% da área já foi plantada. Na safra 2011/12, 12,9 mil hectares foram ocupados com a canola no Estado, contra 13,8 mil este ano, uma alta de 7%. Como a planta é utilizada no sistema de rotação de culturas, algumas regiões acabam despencando no plantio, enquanto outras sofrem um boom produtivo (veja quadro das regiões paranaenses). Em relação à produtividade, o grão já havia sofrido um incremento de 44,7% na safra passada, atingindo a marca de 1.667 quilos por hectare (kg/ha). Este ano, a expectativa é que feche em 1.801 kg/ha, com algumas regiões, como exemplo de Ponta Grossa, atingindo a marca de 2 mil kg/ha.
O aumento da área de plantio só não foi maior porque houve uma quebra na produção de sementes na Argentina devido a uma forte estiagem. O país vizinho possui um dos principais campos de multiplicação de híbridos que abastecem o Brasil. De acordo com o engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) especializado em canola, Hugo Godinho, a cultura no Paraná ainda possui áreas pequenas e pontuais, mas cresce de forma sustentável. "O produtor geralmente já tem contrato fechado com alguma empresa que fomenta o plantio, que posteriormente será utilizada na produção de óleo para alimentação humana ou biodiesel."
Atualmente, toda a produção de canola brasileira é voltada ao consumo humano. Porém, existe uma demanda europeia para a importação de biodiesel produzido através da oleaginosa, já que o combustível produzido hoje, utilizando óleo de soja e sebo, não atende as especificações internacionais do Velho Continente. Para que isso aconteça, a Associação Brasileira de Produtores de Canola (Abrascanola) estima que seria necessário uma área 200 vezes maior que a atual. "A planta é utilizada na rotação de culturas e não há grande mistério no seu cultivo. Ainda é preciso que a canola tenha um investimento pesado para deslanchar", complementa o agrônomo do Deral.

Imagem ilustrativa da imagem Produção de canola cresce 59% em três safras no PR



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