Não é só com a cana-de-açúcar que o País pode se destacar na produção alternativa de energia. O biodiesel vem sendo testado em vários países por possuir praticamente as mesmas propriedades do diesel de petróleo com a vantagem de não exigir adaptação das máquinas e motores. O óleo tem ainda o mérito de contribuir com o meio ambiente pois sua combustão emite gases bem menos poluentes.
O biodiesel, segundo o pesquisador Antônio Costa, da área de solos do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), por ser um óleo vegetal traz ainda a vantagem de ser uma energia renovável. O produto tem apenas um inconveniente, ele precisa ser tratado com álcool (etanol). ''O óleo vegetal puro possui a glicerina, que é um tipo de gordura que prejudica o motor, pois adere à bomba e aos bicos injetores'', explica. A adição do álcool promove uma reação, a transesterificação, que retira a glicerina deixando o óleo mais leve.
O Iapar integra o Programa Paranaense de Bioenergia, criado pelo governo estadual para consolidar um sistema sustentado de produção de oleaginosas que gere renda às propriedades agrícolas familiares. O papel do Iapar, segundo o pesquisador Nelson da Silva Fonseca Júnior, está na pesquisa das plantas com esse potencial. O pesquisador lembra a Lei Federal 11097, que determina para 2008, a adição de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo. A partir de 2013, esse percentual sobe para 5%.
Os estudos serão feitos com plantas de tecnologias já definidas, como a soja e o algodão e culturas com tecnologias parcialmente definidas para o Estado, como o girassol, a mamona, o amendoim, o nabo forrageiro e a canola. As pesquisas vão avaliar ainda plantas potenciais, como o tungue, o pinhão manso, o cártamo e o linho. ''Queremos opções de cultura tanto para o verão quanto o inverno'', destacam os pesquisadores.
Fonseca e Costa lembram que, na realidade, o instituto estará retomando estudos já realizados em outros tempos e que foram deixados de lado por exigências de novas demandas. Mais do que testar cultivares, o Iapar quer, segundo eles, dar subsídios que permitam a sustentabilidade, agregando valor ao sistema produtivo da propriedade.
A expectativa dos pesquisadores é, em três anos, fazer o levantamento das opções de produção e, em cinco anos, ter definido essas culturas, bem como as orientações de manejo com disponibilidade de sementes para atender a demanda. ''Para que consigamos agilidade nesses estudos é fundamental que o governo invista não só nas pesquisas mas, fundamentalmente, na contratação de pessoal'' completa Costa.

mockup