Uma das preocupações neste momento em que o biodiesel desperta a atenção no mundo inteiro é a possibilidade da substituição de áreas cultivadas com alimentos por matéria-prima para o biodiesel. Ruy Yamaoka, um dos técnicos do Iapar responsáveis pela pesquisa do biodiesel, discorda da idéia. Para ele o biodiesel não trará problemas para a produção de alimentos. '' Não haverá, e isso não seria aceitável, a competição com culturas alimentícias'', diz. Ele acrescenta que não é possível disputar com commodities e a solução é inserir essas alternativas no sistema de produção do estado, preservando a área de produção de alimentos.
''Hoje já se fala em janelas agrícolas, que é o aproveitamento da área com o plantio de culturas diferentes entre as safras'', explica o pesquisador. Isso já ocorre com a rotação de culturas, método utilizado para a preservação do solo.
Uma logística adequada pode garantir a produção eficiente da matéria-prima para o biodiesel. Segundo o pesquisador do Iapar, o ideal é cultivar diferentes oleaginosas ao longo do ano. ''Se houver produção em fases diversas não há necessidade, por exemplo, da existência de armazéns grandes.
A professora Cristiane Medina, da UEL, afirma que nas atuais condições não há risco da produção de matéria-prima para o biodiesel ocupar áreas de cultivo de alimentícias. A cana, por exemplo, pode ser plantada em áreas de pastagens degradadas e obter bons resultados financeiros onde um hectare só alimenta 1,5 cabeça de gado. Hoje, segundo Cristiane, a soja deu lugar à cana em algumas áreas em função do dólar e não devido a opção pelo biodiesel. ''A cana nunca vai ser plantada na Amazônia por questões edafoclimáticas (solo e clima)'', diz.
No Paraná a cana ainda ocupa pequenas áreas. De acordo com Cristiane nesta safra a cultura passou de 2,1% para 6%, com 500 mil hectares cultivados. No Brasil dos 62 bilhões de ha, só 3 milhões têm plantação de cana-de-açúcar. (R.C.)

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