O objetivo é não se limitar à produção de lagartas, mas ocupar toda a cadeia produtiva da sedaO Fórum Paranaense do Complexo da Seda, instalado na semana passada pelo governador Jaime Lerner, é o primeiro passo para consolidar a sericicultura no Estado. A partir de agora, uma comissão formada por secretários, prefeitos, técnicos e empresas ligadas ao setor vai discutir os investimentos para verticalizar a produção. Fazem parte da comissão os secretários de Agricultura, Indústria e Comércio, Ciência e Tecnologia e de Planejamento, e o prefeito de Nova Esperança, José Benatti (PMDB).
A comissão técnica reúne profissionais de órgãos da administração pública ligados à agricultura, indústria e comércio, além de empresários e produtores. O objetivo de todos, explica o prefeito Benatti, é estruturar a sericicultura para garantir a sobrevivência da atividade. Ele afirma que, hoje, o preço pago pelo quilo do casulo ao criador não cobre os custos de produção. Em média o quilo do casulo está sendo adquirido pelas indústrias a R$ 2,70, enquanto custa ao produtor pelo menos R$ 3,00.
Ciclo completoA idéia de verticalizar a produção do bicho-da-seda na região de Nova Esperança nasceu há pelo menos 10 anos, quando o município passou a despontar na atividade. ‘‘Fechar o ciclo vai ser a melhor forma de garantir os empregos no campo e gerar mais renda para produtores e trabalhadores’’, explica Benatti. Em julho passado um grupo de líderes da região viajou à China, onde eles visitaram as indústrias que fazem a transformação do fio de seda, boa parte comprada no Brasil.
Ossamu KantaHoje o custo da produção de casulos supera o preço oferecido pela indústria
Na China, foram assinados protocolos de intenção para a montagem de indústrias de fiação, tecelagem e estamparia na região de Nova Esperança. Durante o Encontro Nacional de Sericicultura, realizado em Londrina no meio deste ano, foi proposta a formação de comissões que discutiriam a verticalização da atividade. A idéia ganhou força, até que o governador Jaime Lerner criou a estrutura para manter o debate em torno da sericicultura no Paraná. ‘‘Por enquanto estamos apenas conversando, mas já existe um grande avanço’’, explica Benatti.
No início deste mês, técnicos do setor integrantes do fórum viajaram à região de Como, na Itália, onde existe uma estrutura industrial para processar o fio da seda. De olho no potencial do mercado de tecidos de seda na Itália e em toda a Europa, as empresas investiram em tecnologia e hoje geram empregos e riqueza, utilizando o casulo brasileiro. Enquanto isso o mercado de casulos no Paraná está cartelizado por poucas empresas, com os preços baixos e os produtores sem estímulo para investir.
A proposta, a grosso modo, explica Benatti, é atrair empresas interessadas em investir nos segmentos que possibilitem fechar o ciclo da seda. Ele diz que apenas algumas empresas atuam na fiação do casulo, exportando a maior parte da produção, estimada em 15 mil toneladas por safra apenas no Paraná. A idéia imediata do projeto é atrair um investimento em torno de US$ 13 milhões, reunindo governo, empresários e produtores. Com isso seria possível industrializar pelo menos 10% da produção do Estado.
Mas, a grande vantagem do projeto é a agregação de valores ao casulo verde, beneficiando o criador do bicho-da-seda. O presidente da Comissão Sericícola Nacional, Osvaldo de Pádua, diz que a industrialização do setor ‘‘vai com certeza’’ garantir um acréscimo de produtividade na região. Ele lembra que em 1980 existiam cerca de 3 mil produtores de casulos no Paraná. Com a chegada de novas fiações, o número triplicou em menos de quatro anos. Com as iniciativas do fórum, a expectativa do setor é uma retomada do número de criadores nos próximos anos.
Qualidade e empregoO mais importante de imediato, no entanto, é garantir a melhoria da qualidade do casulo. Com as indústrias, segundo o prefeito José Benatti, o preço do casulo deve melhorar significativamente, incentivando a adoção de novas tecnologias do cultivo da amora e da criação das lagartas. ‘‘Hoje o criador está sem estímulo, e não consegue investir na atividade, o que acaba refletindo na produção e principalmente na qualidade do casulo’’, afirma.
As indústrias também vão garantir a introdução de novas tecnologias para o plantio e cultivo das amoreiras, e na criação das lagartas. A expectativa dos técnicos é de um aumento mínimo de 40% na produtividade, graças à adoção de novas técnicas e à redução das perdas provocadas pela falta de qualificação profissional dos criadores. Outra importância do fórum, explica o prefeito, é iniciar o debate em torno de uma política para a sericicultura. Ele lembra que o governo estadual está incentivando o café e o algodão, para gerar empregos, ‘‘e o mesmo vai acontecer na seda’’.
Segundo Benatti apenas em Nova Esperança existem 1.132 barracões de bicho-da-seda, que juntos geram mais de cinco mil empregos. O município é o maior produtor de casulos verdes, respondendo por cerca de 50% da produção do Paraná. ‘‘Enquanto um hectare de amoras emprega um trabalhador, é preciso 100 hectares de pasto para gerar um emprego’’, compara. Em todo o Estado são cerca de 1.600 produtores, 2,3 mil barracões e 12 mil hectares de amora.

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