Produção começa logo após colheita
Segundo Regina Lima, responsável pela produção de melado, rapadura e cachaça na propriedade, a transformação da cana acontece logo após a colheita, quando os talhões passam por um triturador que separa o bagaço da garapa. ''O bagaço é usado para alimentar a caldeira e a garapa é colocada em um decantador, de onde são retiradas as impurezas'', diz.
A garapa, então, é levada à fervura até atingir ponto de melado. O líquido é envasado em frascos de um litro e rotulado. Já a rapadura começa a ser produzida a partir de um melado mais consistente. ''Quando a garapa passa do ponto de melado, é colocada num recipiente de madeira, onde é misturada com uma pá até endurecer o suficiente para ser colocada nas formas de rapadura'', explica Regina. Cento e vinte litros de garapa rendem 48 rapaduras de meio quilo cada e 24 litros de melado, que são vendidos a R$ 1,30 a unidade em mercados da região.
Já a produção da cachaça é feita no inverno. De acordo com Regina, após medir o grau de açúcar da garapa, ela é misturada a um fermento natural, produzido na própria fazenda a partir de melado, milho ou arroz. Depois de fermentar por cerca de 24 horas nos quatro tonéis de inox, a mistura é levada à caldeira, onde é aquecida até virar vapor. ''Em seguida, o vapor é condensado e dá origem à pinga'', aponta.
Ela informa que cada lambicada envolve 400 litros de garapa e 160 litros de fermento. Deste total é possível produzir 60 litros de cachaça e 30 litros de álcool combustível. ''Usamos o melhor destilado, que chamamos de coração, para a cachaça e o que sobra a cauda e a cabeça é destilado novamente para produção de álcool combustível, usado na limpeza e nos tratores'', declara a proprietária.
Segundo Tatjana, depois de pronta, a cachaça é armazenada em quatro tonéis, cada qual correspondendo a um tipo diferente de madeira. ''Além da cachaça pura, produzimos a jequitibá rosa, a castanha, a bálsamo e a amburana, que é a mais vendida'', assinala. Por não ter licença, a cachaça ainda é comercializada só na fazenda, a R$ 5 o litro. (M.G.)





