CuriosidadeO produtor Tsutomu Sakurai começou seu cultivo por curiosidade, e agora pretende aumentar sua áreaO aspargo, planta originária do Mediterrâneo, é pouco cultivado no Brasil. Na região de Londrina existe apenas um produtor, que começou seu cultivo há mais de dez anos, por curiosidade, e aos poucos foi aumentando sua área. Sem ter muitas informações técnicas sobre o cultivo, Tsutomu Sakurai foi experimentando e observando o desenvolvimento da planta ao longo dos anos. Hoje ele cultiva 15 mil metros quadrados de aspargo em sua chácara de 2,5 hectares, que fica dentro da cidade.
Segundo Tsutomu, a comercialização do aspargo começou quase por acaso. ‘‘No início plantava o aspargo para consumo próprio e por curiosidade. Quando a produção foi aumentando oferemos no mercado, e a aceitação foi boa’’, conta o produtor.
Cultivar aspargo é para quem tem paciência, diz Tsutomu. Desde o plantio até o corte do turião (a parte comestível; é o rebento que brota na parte subterrânea da planta) esperam-se mais de dois anos. Em compensação a planta não exige muitos cuidados, e tem um bom preço de venda. O produtor pretende retirar o restante das parreiras de uvas, que ainda mantém, e aumentar sua área de aspargo,
AceitaçãoO aspargo é mais conhecido no Brasil depois de industrializado, mais frequentemente comercializado nos supermercados em conserva em lata. Mas nos últimos anos, com a forte tendência e preferência por produtos naturais, tem aumentado a procura pelo aspargo fresco, que pode ser consumido em saladas e refogados.
Foto: Marcos BorgesOs turiões crescem rápidamente, e são colhidos no período da manhã
Tsutomu informa que mesmo no Japão, onde a produção e consumo são bem maiores do que no Brasil, a maioria está preferindo o aspargo ‘‘in natura’’. O produtor explica que existem muitas variedades, mas a diferença entre o aspargo para industrialização e o fresco está no manejo. ‘‘Para o broto ficar branco, preferido para a industrialização, ele é coberto com terra ou palha de arroz. Já para a produção do aspargo fresco não é feita a amontoa, e ele fica verde pela sua exposição ao sol’’, explica.
A preferência pelo aspargo verde vem ocorrendo por que ele é mais rico em vitaminas e fibras. Muitas pessoas procuram consumir aspargos pelos seus efeitos medicinais. ‘‘Dizem que é bom para controle de diabetes e colesterol’’, completa Tsutomu.
CultivoO plantio do aspargo é feito com sementes, em canteiros pequenos. Depois de cinco meses as mudas são replantadas na área de produção. O espaçamento que o Tsutomu tem utilizado é de 1 metro entre linhas e de 70 a 80 centímetros entre plantas.
Depois de uns dois anos, quando a parte aérea da planta começa a ‘‘madurar’’, está na hora do corte. Aproximadamente 20 dias depois do corte, os turiões estão prontos para ser colhidos e comercializados. Tsutomu informa que o turião cresce rapidamente, principalmente quando o tempo está quente. ‘‘Chega a crescer uns 15 centímetros durante a noite’’, observa.
Cada planta chega a produzir em média meio quilo de brotos. Cada broto pesa de 30 a 50 gramas. A comercialização é feita em maços de meio quilo, ao preço de R$ 4,00 cada maço.
A melhor época de plantio é no início da safra de verão, que resulta num melhor pegamento da planta. Pela sua experiência, Tsutomu aduba quando observa que a planta está precisando, principalmente na época das chuvas.
PesquisaO Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Semi-Árido, da Embrapa, faz algumas pesquisas sobre o aspargo, que vem sendo cultivado no Nordeste desde l980. Segundo o pesquisador Lúcio Osório Bastos d‘Oliveira, no Brasil a cultura começou na década de 30 na região de Pelotas, no Rio Grande do Sul.
Atualmente, no Nordeste, cultivam-se 180 hectares (ha) das variedades new jersei 220, uc-157 e ciprest. A finalidade principal do cultivo naquela região é a indústria. Portanto produzem somente o aspargo branco. ‘‘A produtividade na região é muito boa, em média 6 mil kg/ha, com o cultivo irrigado e uma boa adubação’’, comenta Lúcio.
No Nordeste, o aspargo pode ser plantado em qualquer época, pois não depende de chuvas, e a produção é mais precoce, sendo favorecida pelo calor e pelo sol. Lá, as mudas levam seis meses na sementeira para depois irem para o plantio definitivo. O espaçamento utilizado é 2,30m entre fileiras e 30 centímetros entre plantas. ‘‘O espaçamento é maior, porque é preciso ter espaço para fazer a amontoa’’, explica Lúcio.
A primeira colheita é feita um ano depois. O pesquisador recomenda que no primeiro ano a colheita não ultrapasse os 20 dias, para não ocorrer um esgotamento da planta para a safra do ano seguinte. No segundo ano, a colheita pode ser feita durante 30 a 35 dias; no terceiro ano vai até 75 dias. Aí a produção se estabiliza. Lúcio diz que segundo a literatura a mesma planta chega a ter um período de produção de até 15 anos. Depende dos cuidados do produtor. ‘‘Os cuidados são principalmente a adubação e não estender o período de colheita por muito tempo’’, completa.

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