Produção café com leite
Puxando pela memória, o agricultor conta que chorou feito criança quando viu seus cafezais queimados pela geada negra de 1975. ''O desgosto foi tamanho que fiquei um mês sem aparecer na fazenda. Mas depois a cabeça esfriou e resolvi replantar tudo de novo''. Mais tarde, em 1982, brigaria com o café e desistiria da cultura, mas voltou a plantar em 1990.
Atualmente, ocupa quase metade dos 77 alqueires com 120 mil pés da variedade Catuaí, plantados em espaçamento três por um. Espera colher na próxima safra duas mil sacas de café limpo. O restante da propriedade é ocupado com vacas leiteiras, que produzem 1,2 mil litros por dia, negócio tocado por um dos filhos de Kalil.
A paixão da família pelo negócio do café com leite fez com que os donos de usina canavieira que ofereceram bom dinheiro pelo arrendamento da terra voltassem para trás capisbaixos. ''A cana é um negócio da China, estão pagando bem pelo arrendamento, até pensei em entrar nessa...'', comenta.
Com a recusa à oferta dos usineiros, logo os terreirões cinquentenários estarão mais uma vez repletos de café. As casinhas dos colonos continuam habitadas e o visual continua a dar a impressão de que, nas terras do seu Douglas, estamos ainda nos tempos do ouro verde. (W.S.)





