Produção brasileira cresce 50% em um ano
A produção de camarão de cultivo no País cresceu 50% em 2003 em relação ao ano anterior, passando de 60 mil para 90 mil toneladas, enquanto o número de fazendas de camarão aumentou 33% - de 680 para 905. A oferta de mão-de-obra, que era de 32 mil vagas, subiu para 50 mil, num crescimento de 54,5%. Já as exportações aumentaram de 37,8 mil para 58,5 mil toneladas. Os números são resultado de um censo realizado pela Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) em 14 Estados e desenham um quadro otimista para a atividade, apontada pela entidade como o agronegócio da vez - depois do café, do açúcar e da laranja.
As projeções para este ano para a carcinicultura não ficam atrás. Segundo o presidente da ABCC, Itamar Rocha, o setor estima fechar o ano com uma produção de 117 mil t, dos quais 76 mil t para exportação, num crescimento de 30%. O Nordeste concentra 91% dos produtores, que começam a se expandir no Sul e no Norte. A maioria é de pequenos produtores, com fazendas de 10 hectares representando 75% dos empreendimentos em operação no País. A área cultivada teve um incremento de 34%, de acordo com o levantamento, passando de 11 mil hectares em 2002 para 14,8 mil ha em 2003.
Antidumping - A ação antidumping impetrada por pescadores norte-americanos no final do ano passado contra o Brasil e mais cinco países produtores de camarão - entre eles China, Tailândia e Vietnã - criou a expectativa, de acordo com Rocha, de retração dos preços de importação do produto naquele país, mas isso não se efetivou. ''O preço do quilo do camarão de 11 gramas, que era de US$ 5 no final do ano passado, quando deram entrada na ação, é agora de US$ 6,70'', observou, frisando que em janeiro e fevereiro as exportações para os Estados Unidos aumentaram 21,6% em relação ao mesmo período no ano passado.
Ele justifica o fato com o aumento do consumo do produto naquele país e aconselha os exportadores a continuarem vendendo para os Estados Unidos, que compraram do Brasil, no ano passado, 4,5% do que importam. Rocha nega a existência de dumping. ''Os Estados Unidos importam US$ 3,7 bilhões de camarão, o beneficiam e geram uma receita de US$ 11 bilhões. A economia americana é a grande favorecida'', afirmou, confiante de que a ação, quando julgada no seu mérito, deverá chegar à mesma conclusão.
Ele espera que o camarão brasileiro, no final, receba a mesma taxação do salmão do Chile, de 4%, para entrar no mercado norte-americano. Uma mesma ação contra a lagosta de água doce da China resultou numa taxação de 100%, enquanto o peixe cat fish, do Vietnã, foi taxado em 64%. (Agência Estado).





