Produção bem acompanhada
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sexta-feira, 26 de abril de 2013
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Trabalhar sozinho, sem parcerias, é algo complicado para o hortifruticultor paranaense. Muitas vezes, tanto os olericultores quanto os fruticultores - grande parte deles inseridos na agricultura familiar - não conseguem agregar valor aos seus produtos, dar volume à produção ou melhorar a qualidade do que é colhido. Os chamados intermediários, que geralmente repassam a produção aos centros de distribuição, acabam frequentemente ditando os preços de mercado junto ao setor varejista, o que deixa os produtores em difícil situação de comercialização.
Condição que está mudando graças a exemplos de muitas cooperativas e associações do Estado, que perceberam que a união faz toda a diferença para o negócio. Muitas delas conseguiram melhores preços e qualidade na produção, atuando com os hortifruticultores desde o acompanhamento da produção até a entrega do produto final, com preços justos ao cliente ou centros de distribuição.
Segundo dados do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), no Paraná, existem cerca de 50 mil produtores de hortaliças e frutas. No eixo da BR-369, entre Santo Antônio da Platina e Maringá, há 30 associações. Um número, que segundo especialistas do setor, ainda é pequeno para todo o potencial do Estado.
A explicação para a falta de empenho no associativismo está arraigada aos produtores. Por muitos anos, boa parte deles entregava as frutas e hortaliças a grandes cooperativas, como a Cotia que, como muitas outras, passaram por processo de liquidação. Neste período de falência das grandes cooperativas, surgiram diversas pequenas associações. "O problema é que os produtores não tinham condições de contratar profissionais para desenvolver a atividade de comercialização e eles mesmo passaram a se tornar dirigentes. Logo adquiriam conhecimento, abandonavam a cooperativa e passavam a desenvolver atividades de intermediação", explica José Custódio Guimarães, que presta assessoramento para a formação de associações e cooperativas pela Emater.
Élcio Felix Rampazzo, coordenador estadual de frutas da Emater, calcula que o número de associados das entidades criadas pelos produtores geralmente fica entre 20 e 50 pessoas. "É uma cultura dos fruticultores do nosso Estado, que sempre produziram e venderam sozinhos. O problema é que hoje isso funciona apenas para aqueles bem estruturados, mais instruídos e com maior volume de produção. A maioria deles sabe produzir, mas não sabe vender, barganhar", relata.
Rampazzo também critica toda a lógica de mercado, que acaba prejudicando o agricultor. De acordo com ele, quanto mais pessoas manuseiam o produto ao longo da cadeia, menor é o valor final para o produtor. "O nosso interesse é que o produtor saia de dentro da propriedade e comece a competir com o mercado atacadista. Temos que dizer também que, de certa forma, o mercado atacadista é um parceiro, mas ninguém questiona o preço final determinado pelo varejo. Se o varejo puder massacrar o atacado e o produtor, certamente é o que vai acontecer", salienta o coordenador da Emater.
Da mesma forma funciona na olericultura. O coordenador de olericultura da Emater no Norte do Paraná, Nilson Ladeia Carvalho, ressalta que a grande dificuldade de mudar esta situação é que o produtor conheça um pouco mais de gestão da sua propriedade e também das cooperativas e associações. "Nós temos batido nesta tecla. O agricultor precisa pensar como uma empresa, e não de forma individual apenas ou em grupo. Temos experiências em diversos municípios que mostram que é possível ganhar bem inclusive em pequenas áreas. Ele tem que perceber que dentro de uma associação ou cooperativa, ele passa a ter força e ser grande", complementa.
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