Arquivo
Bom começoO trigo em algumas áreas está com boa germinaçãoO Departamento Técnico e Econômico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) faz essa constatação: enquanto milhares de empregos são mantidos na Argentina pela produção do trigo daquele país, no Brasil o desemprego atinge 8,18% da população economicamente ativa.
Segundo o economista Getúlio Pernambuco, da CNA, o governo brasileiro ‘‘tem agido de maneira equivocada’’ ao negligenciar a produção nacional de trigo. Ele prevê que a safra deste ano sofrerá uma nova redução, de 10%, devendo ficar em torno de 2,2 milhões de toneladas. Isto obrigará o Brasil, mais uma vez, a importar o trigo argentino, do qual o mercado brasileiro ‘‘já é, de longe, o maior comprador’’. As compras externas de trigo, de cerca de 6 milhões de toneladas este ano, deverão custar US$1,1 bilhão.
DesempregoO Brasil consome atualmente cerca de 8,5 milhões de toneladas de trigo e a produção nacional supre apenas um quarto dessa necessidade. A redução gradativa do plantio do cereal, nos últimos dez anos, eliminou 160 mil empregos no campo, segundo estimativa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). ‘‘A essa estatística preocupante - diz Getúlio - pode-se somar a redução de postos de trabalho também na indústria moageira’’. O economista alerta, também, que a farinha de trigo argentino ‘‘começa a ocupar espaço no mercado brasileiro, em grandes redes de supermercados’’.
Depois de quase chegar à auto-suficiência em trigo na década de 80, O Brasil regrediu. ‘‘A produção nacional de trigo passou por um processo contínuo de desestímulo’’, lembra Getúlio Pernambuco. Os incentivos dados à cultura foram insuficientes; faltou crédito para a produção e comercialização do produto.
‘‘Mais do que isso - enfatiza o economista da CNA -, nos últimos anos o Executivo não negociou de maneira adequada a situação do trigo, no âmbito do Mercosul’’. Pernambuco diz que o trigo já deveria constar da lista de produtos sensíveis, nas negociações com a Argentina, Paraguai e Uruguai. ‘‘Dessa forma - explica - o produto importado não entraria no Brasil com alíquota zero, como acontece atualmente, mas teria um imposto que não estimulasse as importações em detrimento do produto nacional’’.
De acordo com essa análise a Argentina ganha, cada vez mais, o poder de colocar seus produtos no mercado externo; aumenta sua escala de produção tanto para o grão quanto para a farinha; reforça sua cadeia produtiva interna e ganha condições melhores de competir. O Brasil, enquanto isso, faz exatamente o contrário.

mockup